O primeiro-ministro russo, Vladmir Putin, imputou hoje a culpa da crise social da cidade de Pikaliovo à ganância de empresários como Oleg Deripaska, num inflamado discurso na empresa daquele que já foi o homem mais rico da Rússia.
Putin, em visita surpresa à BaselCement, forçou Oleg Deripaska, perante os trabalhadores em protesto, a assinar um contracto que permitirá retomar a produção de fábricas que não estão em funcionamento. Os operários não recebem salários há vários meses e a cidade tem sido palco de inúmeros protestos.
“Fizeram milhares de pessoas reféns com a vossa ambição, a vossa falta de profissionalismo – ou muito simplesmente a vossa trivial ganância”, disse, dirigindo-se Deripaska e a dois outros empresários, proprietários de fábricas de cimento e alumina (um composto químico usaod no processo de fabricação de alumínio).
“Todos os salários em atraso (que rondam já um milhão de euros) serão pagos. E a data limite é hoje”, acrescentou. O primeiro-ministro fez uma discreta ameaça de expropriação, caso os empresários não regularizassem os salários em atraso.
“Onde está a responsabilidade empresarial? Porque andavam às voltas como baratas antes de eu chegar? Porque é que ninguém tomou uma decisão?”, questionou Putin, num confronto transmitido pela televisão nacional.
A multidão ovacionou Vladmir Putin no final do encontro. O porta-voz do primeiro-ministro, Dmitri Peskov, declarou que “a crise económica e outras dificuldades não podem servir de indulgência às responsabilidades sociais e não é possível resolver problemas sem ter em conta as pessoas, não se pode tentar infligir ao Estado todas as responsabilidades”.
Os habitantes de Pikaliovo apelaram à intervenção das autoridades depois de todas as três fábricas terem cessado a produção e deixado de pagar salários completos. Os sindicatos afirmam que metade da população total da cidade, de 23.00 habitantes, vive na pobreza.


