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Presidente volta a criticar ONG russas

Putin não deverá expulsar diplomatas britânicos acusados de espionagem

25.01.2006 - 19:31 Por AFP, PUBLICO.PT

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Putin quer evitar uma escalada diplomática com Londres no ano em que vai presidir ao G8 Putin quer evitar uma escalada diplomática com Londres no ano em que vai presidir ao G8 (AP)
O Presidente russo deu hoje a entender que não considera oportuno expulsar os quatro diplomatas britânicos acusados de espionagem e financiamento ilegal de organizações não-governamentais do país, mas aproveitou o caso para justificar o crescente controlo da sociedade civil.

“Em meu entender, se expulsarmos os espiões eles vão enviar-nos outros, talvez mais inteligentes, e teremos mais dificuldades em descobri-los”, afirmou Vladimir Putin, numa conferência de imprensa em São Petersburgo.

“Nas últimas décadas expulsámos espiões que trabalhavam sob cobertura diplomática. Não sei se é uma prática justa ou não”, acrescentou, prometendo reflectir sobre o assunto em conjunto com o ministro dos Negócios Estrangeiros.

Analistas tinham já previsto que Moscovo não iria expulsar os quatro funcionários da embaixada britânica acusados de espionagem, já que isso que poderia levar Londres a retaliar, criando uma escalada no conflito diplomático.

Com efeito, Putin disse não estar interessado em “prejudicar as relações” com o Reino Unido, em especial no ano em que a Rússia se prepara para, pela primeira vez, presidir ao grupo dos países mais industrializados (G8).

Contudo, o Presidente russo aproveitou o escândalo para justificar a controversa lei que reforça o controlo público sobre as organizações não-governamentais do país, há muito acusadas pelo Kremlin de estarem ao serviço dos interesses ocidentais.

“É deplorável que haja ONG financiadas por serviços secretos”, afirmou Putin, numa referência aos documentos divulgados pelos serviços secretos russos que comprovariam o alegado pagamento que dezenas de organizações russas teriam recebido dos cofres da embaixada britânica.

“São muitos os que compreendem agora por que é que foi aprovada a lei sobre as ONG”, afirmou Putin, reafirmando que o principal objectivo do diploma é evitar ingerências estrangeiras nos assuntos internos do país.

O caso foi denunciado no passado domingo numa reportagem transmitida pela televisão pública russa, com base em informações concedidas pelo FSB.

Segundo a estação, que mostrava imagens captadas por câmaras de segurança, quatro funcionários da embaixada britânica foram surpreendidos a recolher – com recurso a equipamento electrónico sofisticado, escondido numa falsa pedra – informações transmitidas por funcionários russos. Os diplomatas, identificados pela televisão, são também acusados de financiarem dezenas de ONG russas, segundo comprovativos de transferências mostrados pela reportagem.

A oposição e os defensores dos direitos humanos mostraram-se cépticos sobre a reportagem, afirmando que foi montada com o propósito de comprometer a actividade das organizações que denunciam os atropelos à democracia cometidos no país.

“Qualquer que seja o escândalo, os organizadores já conseguiram o seu objectivo: para a opinião pública, as ONG russas passam a ser identificadas com os espiões estrangeiros”, escreve hoje o diário independente "online" Gazeta.ru.

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