Putin diz que não tem tempo para participar nos debates das eleições presidenciais

12.01.2012 - 14:27 Por Dulce Furtado
A razão invocada é a de falta de tempo: dadas as tarefas de primeiro-ministro, Vladimir Putin, que se candidata a regressar ao Kremlin nas eleições presidenciais russas de Março próximo, alega que não pode participar em debates televisivos com os rivais. Solução proposta: enviar um “representante” em seu lugar.
“A participação do candidato Vladimir Putin nos debates eleitorais nas televisões dependeria de ele ter disponibilidade para o fazer e, tendo ainda em conta a legislação em vigor, tal impediria que cumprisse as suas funções de chefia do Governo como deve ser”, explicou o porta-voz do gabinete do primeiro-ministro, Dmitri Peskov, citado pela agência estatal russa Interfax.
Para resolver isto, está “em estudo a possibilidade da participação de um representante do candidato Putin nos debates”, avançou ainda Peskov, remetendo para o primeiro-ministro “a decisão final”.
Putin esteve impedido de se recandidatar à presidência em 2008, cumprido já o limite constitucional de dois mandatos consecutivos, e impulsionou então para o Kremlin o pupilo Dmitri Medvedev que, em Setembro passado, anunciou o plano da troca de papéis no novo ciclo eleitoral russo.
Ao longo do último mês a contestação ao regime foi crescendo, com manifestações maciças em Moscovo que chegaram a ter nas ruas mais de 50 mil pessoas exigindo a anulação dos resultados das legislativas de 4 de Dezembro e a realização de novo sufrágio.
Grande favorito no acto, embora as sondagens mais recentes espelhem uma popularidade em tendência de queda (dos habituais mais de 80 por cento de aprovação que registou ao longo da última década e meia), Putin recusou participar nos debates televisivos de campanha também nas eleições presidenciais de 2000 e de 2004.
Já deixara claro, de resto, em Dezembro passado, na campanha das legislativas, ganhas pelo seu partido, o Rússia Unida, que não tinha tempo “a perder” com discussões com os seus adversários nesta nova corrida ao Kremlin.


