Putin rejeita repetição de legislativas e confirma que Medvedev será primeiro-ministro

15.12.2011 - 09:41 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, rejeitou esta quinta-feira a repetição das legislativas no país e confirmou que, se for eleito Presidente, Dmitri Medvedev será chefe de Governo.
Durante a sessão anual de perguntas e respostas na televisão, a que responde a perguntas dos cidadãos, Putin foi questionado sobre o que fará se for reconduzido ao Kremlin nas eleições presidenciais de Março — em que volta a candidatar-se, após os quatro anos de interregno forçados pelos limites constitucionais. Confirmou o plano de acção do seu regime, de nomear o actual Presidente, Dmitri Medvedev — seu pupilo, que colocou no poder em 2008 — para assumir o cargo de primeiro-ministro, assim que ele próprio esteja de novo na chefia de Estado.
Adiantou ainda que reforçará os instrumentos do Estado de maneira a que o país se consiga “opor a todos os aventureiros que, do estrangeiro, se tentam imiscuir nos assuntos e influenciar a vida política” russa. O ainda primeiro-ministro rejeitou as acusações da oposição de que houve fraude nas legislativas de 4 de Dezembro, em que o seu partido, o Rússia Unida, foi reconduzido ao poder, e acusou os“aventureiros” russos e as “influências estrangeiras” de estarem a tentar desestabilizar a Rússia.
Os observadores internacionais da Organização de Cooperação e Segurança na Europa (OSCE, organização a que a Rússia pertence) concluiram que o sufrágio legislativo ficou marcado por “violações frequentes” no processo de contagem dos votos, incluindo a entrada irregular de boletins nas urnas. Uma avaliação que levou os deputados do Parlamento Europeu a aprovaram uma resolução recomendando a repetição das legislativas.
As acusações de fraude levaram aos protestos de rua das últimas semanas. Putin enfrentou na última semana e meia as maiores manifestações no país em 12 anos, num movimento de contestação à vitória eleitoral do seu partido e à sua forma de governação, em concreto a ideia de rodar os dois principais cargos do país entre si e Medvedev. Mais de 50 mil pessoas sairam à rua em Moscovo.
Putin considerou que as manifestações são “aceitáveis” apenas se permanecerem pacíficas e dentro da legalidade. “O facto de as pessoas expressarem a sua opinião é algo totalmente normal, desde que, claro, todos respeitem as leis”, disse durante a sua sessão televisiva anual de perguntas e respostas ao país, uma tradição que criou quando ainda ocupava a Presidência.
“Vi pela televisão que era sobretudo gente nova, gente activa, claramente a expressar a sua opinião — e isso deixa-me satisfeito. Se é este o resultado do ‘regime de Putin’, então fico muito contente”, disse, desvalorizando as críticas de que o seu exercício de autoridade tem tornado a Rússia um país cada vez menos democrático.
Nestas primeiras declarações públicas desde a contestação, o primeiro-ministro deixou claro que não aceita a possibilidade de o sufrágio legislativo ser repetido, insistindo que os resultados “reflectem indubitavelmente a vontade” dos eleitores.
Sugeriu, porém, que sejam instaladas câmaras de vigilância nas assembleias de voto a tempo das eleições presidenciais de 4 de Março, com o objectivo de evitar fraudes eleitorais.
Notícia actualizada às 16h50


