Putin acusa Washington de estar a fomentar contestação na Rússia

08.12.2011 - 12:29 Por PÚBLICO, Agências
O primeiro-ministro russo, Vladimir Putin, acusou os Estados Unidos de incentivarem os protestos contra os resultados das legislativas, que reconduziram no poder o partido Rússia Unida mas que a oposição considera fraudulentas. Centenas de pessoas foram já detidas e para este sábado está agendado uma nova manifestação.
Putin – que oficializou ontem a sua candidatura às presidenciais de Março, possível depois de quatro anos de interregno – responsabilizou directamente a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, afirmando que foi ela a “marcar o tom de alguns activistas da oposição”. Com as críticas que fez ao processo eleitoral, “deu-lhes o sinal para eles começarem a trabalhar activamente”, disse, numa referência às manifestações que, desde segunda-feira, levaram milhares de pessoas às ruas.
O chefe de Governo disse saber que “existe no país quem queira ver a situação evoluir como aconteceu ainda não há muito tempo na Ucrânia”, onde em 2004 os protestos pós-eleitorais acabaram por colocar no poder os partidos pró-ocidentais, mas avisou que o Kremlin não hesitará em “defender a soberania russa”.
Putin considerou “particularmente inaceitável” que governos estrangeiros “injectem fundos nos processos eleitorais”, uma afirmação que recordou outra, na semana passada, quando apelidou de “judas” a organização de monitorização eleitoral Globos, responsável pela recolha de milhares de denúncias durante a campanha eleitoral e que é financiada por vários governos e entidades ocidentais.
Dirigindo-se aos opositores que saíram à rua, Putin disse que “se as pessoas agirem no respeito pela lei, ser-lhes-á concedido o direito de exprimirem a sua opinião”. “Mas se alguém infringir a lei, então as forças da ordem devem exigir o respeito da lei por todos os meios”. Segundo a imprensa russa, centenas de manifestantes foram detidos nos protestos dos últimos dias, entre eles vários dirigentes políticos e activistas, entretanto condenados a penas de prisão de até 15 dias.
Num tom mais moderado, o Presidente russo, Dmitri Medvedev, defendeu que “o mais importante é que todos se acalmem e permitam que o novo Parlamento comece a trabalhar”. “Se as pessoas quiserem pronunciar-se sobre as eleições não há problema, isso é um reflexo da democracia”, acrescentou Medvedev que, a partir de Março, poderá tomar o lugar de Putin na chefia do Governo.
Apesar dos avisos, a oposição – comunistas, liberais e nacionalistas – agendou para sábado uma nova manifestação, esperando repetir o sucesso do protesto de segunda-feira, quando vários milhares de russos se juntaram no centro de Moscovo para contestar os resultados anunciados pela Comissão Central Eleitoral, naquele que foi o maior protesto desde a chegada de Putin ao poder. Segundo os dados oficiais, o Rússia Unida perdeu a maioria de dois terços que gozava na anterior legislatura, mas manteve ainda assim o controlo da Duma, ao conseguir 49,3 por cento dos votos.


