"A batalha pela Rússia continua", disse Putin num comício gigante

23.02.2012 - 11:14 Por Ana Gomes Ferreira
Vladimir Putin dissera que não faria campanha, por não precisar. Mas esta quinta-feira juntou 130 mil apoiantes num estádio para, na qualidade de candidato à presidência e num tom de guerra fria, dizer que não permitirá ingerências" nos assuntos russos. "A batalha pela Rússia continua, a vitória será nossa".
Putin, que já foi Presidente e é o actual primeiro-ministro, vai à frente nas sondagens, apesar de ter perdido popularidade nos últimos anos. Perdeu as graças do povo - especificamente do povo nas grandes cidades como Moscovo e São Petersburgo - por não deixar o poder, pretendendo alternar os dois principais cargos entre si e o actual chefe de Estado, Dmitri Medvedev.
"Hoje, somos nós que defendemos a pátria", disse aos apoiantes reunidos no estádio de Lujniki, em Moscovo. "Não deixaremos ninguém impor-nos a sua vontade", disse o candidato, muito combativo, lembrando que a História russa se fez de "de suor e sangue". "Temos a nossa própria vontade. Somos uma nação vencedora. Está-nos nos genes".
O discurso patriótico teve um motivo. Hoje é feriado na Rússia, assinala-se o Dia dos Defensores da Pátria, uma festa herdada da época soviética. Putin aproveitou-o para, a dez dias das presidenciais que se realizam a 4 de Março, responder à oposição que se manifesta com regularidade em Moscovo desde Dezembro, quando o partido de Putin, o Rússia Unida, ganhou as contestadas eleições legislativas.
O Ocidente, com os Estados Unidos à cabeça, foram o seu alvo - por várias vezes o regime russo acusou os organizadores das manifestações de estarem a soldo do Ocidente. Só a eleição de Putin garantirá a independência do país e a estabilidade, dizem.
Um grande ecrã, descreve a AFP, ia mostrando vídeos de campanha de Putin. E vários músicos subiram ao palco, adornado com grandes bandeiras russas, para animar a vasta plateia e apoiar o candidato.
Embalado e decidido a entusiasmar a audiência, Putin citou o poema patriótico Borodino, que Mikhail Lermontov escreveu no século XIX e que é sobre a batalah de Borodino, durante a invasão napoleónica. Fala de resistir, de não deixar passar o inimigo. Foi o momento em que Putin disse que a batalha não está ganha. "Venceremos, venceremos", gritou. A seguir, pediu aos russos para dizerem que amam a Rússia.
"Estou aqui para apoiar Putin porque desde que ele está [no poder] temos estabilidade e o estrangeiro respeita-nos", disse Magomed Tadjiev, de 21 anos. "Não vejo quem o poderá substituir, de momento Putin não tem oposição", acrescentou este apoiante, citado pela AFP.
O que foi o maior comício pró-Putin, destinado a restabelecer a sua imagem de líder agregador, não passou sem a sua polémica. O correspondente da BBC, Steve Rosenberg, falou com dois trabalhadores ferroviários que lhe disseram estar ali porque o chefe os mandou, e com um estudante que disse ter sido pago para comparecer.


