O próximo Presidente do Paquistão será eleito pelo Parlamento e pelas assembleias provinciais no próximo dia 6 de Setembro, anunciou hoje a comissão eleitoral nacional, quatro dias após a demissão do Presidente Pervez Musharraf.
“A eleição presidencial terá lugar no dia 6 de Setembro, as candidaturas poderão ser-nos submetidas a partir do dia 26 de Agosto”, declarou diante da imprensa o secretário-geral da comissão, Kanwar Dilshad.
O actual governo de coligação forçou Musharraf, na segunda-feira passada, a uma demissão, ameaçando-o com um procedimento de destituição por ter violado a Constituição.
O partido que apoia o chefe de Estado demissionário perdeu as legislativas de Fevereiro último, vencidas por uma coligação da antiga oposição, principalmente formada pelo movimento dos ex-primeiros ministros Benazir Bhutto, assassinada em Dezembro de 2007, e Nawaz Sharif.
Mas a coligação está prestes a perder o apoio da Liga Muçulmana do Pakistan-Nawaz (PML-N), de Sharif, com a qual não se consegue entender acerca de alguns temas espinhosos com o líder do Partido do Povo Paquistanês (PPP) de Bhutto, Asif Ali Zardari, viúvo da líder política assassinada.
Este movimento, que dispõe de uma maioria relativa na Assembleia Nacional e pode contar, sem Sharif, com a maioria absoluta no sufrágio graças ao apoio de outras pequenas formações, já pediu oficialmente a Zardari para ser o seu candidato à presidência. Zardari ainda não deu nenhuma resposta, mas Sharif já fez saber que não gosta da ideia de o futuro chefe de Estado ser do PPP.
Os dirigentes da coligação encontram-se hoje para uma reunião encarada como a “última hipótese” para resolver esta divisão, nomeadamente quando à espinhosa questão do restabelecimento integral dos juízes do Supremo Tribunal afastados por Musharraf em Novembro de 2007.
De acordo com os negociadores, Sharif exige o restabelecimento de “todos” os juízes, mas Zardari teme uma alta instância jurisdicional hostil, se ela for restaurada na sua configuração inicial.
Nas últimas semanas, o país tem sofrido vários ataques terroristas levados a cabo por taliban, que ontem mesmo causaram a morte a 60 pessoas.


