Primeiro-ministro tailandês: um intelectual “manietado” pelos militares

12.04.2009 - 20:03 Por Reuters
Abhisit Vejjajiva é o terceiro primeiro-ministro que a Tailândia tem em tantos outros meses, tendo assumido o cargo, a 15 de Dezembro, graças a uma série de mudanças de trincheira de deputados, que a oposição sustenta terem sido orquestradas pelo exército.
Em nada o poupa a oposição, que o descreve como um oportunista e “um fantoche” dos militares, classe extremamente influente no país. Para os “camisas vermelhas”, Abhisit jamais teria chegado à chefia do Governo sem a ajuda das altas esferas do exército e da Aliança Popular para a democracia (PAD), movimento que se opõe ao ex-primeiro-ministro Thaksin Shinawatra, afastado do poder no golpe de 2006 e actualmente auto-exilado em local desconhecido.
Filho de dois professores de medicina e nascido em Newcastle, no norte de Inglaterra, Abhisit, de 44 anos, é tido como uma escolha certa pela comunidade de empresários estrangeiros na Tailândia. Apreciam-lhe a formação adquirida nas mais prestigiadas escolas britânicas, do colégio de Eton à universidade de Oxford, onde se formou com as mais altas distinções em Política, Filosofia e Economia.
Essa formação e o elevado intelecto que lhe é consensualmente reconhecido não têm impacto de maior, porém, junto dos tailandeses das zonas rurais, no nordeste do país, que formam, por seu lado, a grossa coluna de apoio a Thaksin.
Ninguém de resto o conhece por ali: em três anos passados na liderança da oposição, Abhisit só muito raramente saiu de Banguecoque ou foi para lá do sul do país, bastião dos democratas tailandeses. E quando o fez foi quase sempre acolhido com ácida hostilidade, incluindo serem-lhe arremessados vegetais podres num comício.


