O primeiro-ministro palestiniano Salam Fayyad anunciou hoje ter apresentado a demissão do seu governo ao presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, a fim de abrir caminho para um Executivo de união nacional, no quadro de uma reconciliação com o Hamas, indicou hoje em comunicado o gabinete do primeiro-ministro.
Salam Fayyad, um antigo funcionário do Banco Mundial e do Fundo Monetário Internacional (FMI), tinha sido nomeado em Junho de 2007, após a derrocada do governo formado pelo Hamas, que tomou a Faixa de Gaza pela força.
A demissão acontece poucos dias depois do início das negociações, no Egipto, entre 13 facções palestinianas, incluindo a Fatah (o partido de Abbas) e o movimento fundamentalista Hamas, que governa a Faixa de Gaza desde o Verão de 2007. As negociações entre as facções palestinianas pretendem a formação de um Executivo que seja capaz de preparar as eleições presidenciais - uma vez que o mandato de Abbas expirou no passado dia 9 de Janeiro - bem como as eleições legislativas.
O comunicado do gabinete do primeiro-ministro indica ainda que "o clima positivo constatado durante a primeira ronda de negociações oferece uma oportunidade que deverá ser explorada, com o objectivo de se pôr um fim às divisões e estender as bases necessárias para se chegar à unidade e à reconciliação".
Hamas não lamenta demissão
Logo após o anúncio do primeiro-ministro, o Hamas reagiu, indicando que não lamenta a decisão. "O Hamas não lamenta a demissão de Fayyad e do seu governo", declarou o porta-voz do partido islamista, a partir de Gaza. "Este é o fim de que estávamos à espera, porque o governo é ilegítimo e ilegal, e construído sobre políticas erradas ligadas à política americana", acrescentou.
O Hamas, que venceu as eleições legislativas palestinianas de Janeiro de 2006, sempre considerou ilegítimo o governo de Fayyad e estima que o único Executivo legal é o de Ismaïl Haniyeh, que controla Gaza.
O governo de unidade nacional terá como principal tarefa preparar eleições legislativas e presidenciais nos territórios palestinianos e supervisionar a reconstrução da Faixa de Gaza, após a recente ofensiva israelita.
A Autoridade Palestiniana obteve as promessas de ajuda cifradas num total aproximado de 4,5 mil milhões de dólares, fornecidos pela comunidade internacional, durante uma conferência de doadores em Sharm el-Sheikh, no Egipto.
Israel levou a cabo uma vasta operação militar em Gaza entre os dias 27 de Dezembro e 18 de Janeiro, que fez mais de 1300 mortos, com o objectivo de pôr fim aos disparos de "rockets" a partir de Gaza pelo Hamas, um movimento cuja autoridade não é reconhecida por Israel, nem pelos Estados Unidos e União Europeia. Mais recentemente, porém, a comunidade internacional foi admitindo o diálogo com o Hamas, sem o qual não será possível governar os territórios palestinianos.


