O primeiro-ministro palestiniano, Ahmad Qorei, apresentou a sua demissão do cargo depois de o grupo radical Hamas ter reclamado vitória, com maioria absoluta, nas eleições legislativas realizadas ontem. Qorei vai comunicar ainda hoje a sua decisão ao Presidente da Autoridade Palestiniana, Mahmoud Abbas, e apelou à direcção do Hamas para que forme um novo Governo.
Chegado ao fim o longo ciclo de poder do partido laico criado por Yasser Arafat, a principal questão que se coloca agora é o rumo que terá o processo de paz com Israel, já que o movimento radical, agora transformado em partido político, defende a luta armada e a destruição do Estado israelita.
O Hamas - que participou ontem pela primeira vez numas eleições legislativas - reivindicou hoje a vitória nas eleições, apesar de as últimas sondagens terem apontado para uma escassa vantagem de cinco lugares do movimento Fatah, que ficaria com 63 deputados contra 58 do movimento radical.
"O Hamas obteve um vitória considerável. Os países da região e a comunidade internacional devem respeitar o voto do nosso povo, que é o resultado da democracia", disse à AFP, a partir de Gaza, Ismail Haniyeh, um dos principais dirigentes do Hamas e um dos cabeças-de-lista destas eleições.
Segundo o porta-voz do Hamas, Sami Abou Zouhri, a lista do movimento Mudança e Reforma recolheu "pelo menos" 43 lugares nas circunscrições e "mais de 50 por cento dos votos" ao nível das listas, o que representa um total de pelo menos 75 lugares.
Dos 132 assentos no Parlamento palestiniano, 66 são eleitos por escrutínio maioritário uninominal nas circunscrições e os outros 66 são proporcionais às votações nas listas.
Interrogado sobre a entrada do Hamas no Governo, Ismail Haniyeh foi vago na sua explicação, mas falou numa "parceria política". "À luz destes primeiros resultados, consultaremos o Presidente Abu Mazen [Mahmoud Abbas] e os irmãos da Fatah para discutirmos o formato desta parceria política. Discutiremos também com os blocos parlamentares a natureza dessa parceria", indicou.
Uma fonte do Hamas disse à agência noticiosa francesa que uma decisão sobre a participação do movimento no Governo deve ser tomada "hoje ou amanhã2 e que essa possibilidade será "favorável" ao novo partido radical.
A Fath dominava o Parlamento cessante e todas as outras instituições do aparelho de segurança da Autoridade Palestiniana, depois do reconhecimento, em 1994, nos termos dos Acordos de Oslo, da autonomia dos territórios da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. O Hamas, responsável por dezenas de atentados mortíferos contra Israel, nunca reconheceu a validade dos Acordos de Oslo.
O primeiro-ministro interino de Israel, Ehud Olmert, já descartou qualquer hipótese de diálogo político com um Governo palestiniano do qual faça parte o Hamas, que considera "uma organização terrorista que apela à destruição de Israel".
O Presidente norte-americano, George W. Bush, sublinhou também que se recusa a negociar com o Hamas, numa entrevista publicada no site do "Wall Street Journal". A Casa Branca considerou que as eleições de ontem são "históricas", mas reafirmou a sua hostilidade para com o Hamas, classificado como um grupo terrorista.


