Primeiro-ministro norte-coreano em busca do apoio solidário numa visita a Pequim

17.03.2009 - 09:34 Por Dulce Furtado, com agências
O primeiro-ministro norte-coreano, Kim Yong-il – que partilha quase na totalidade o nome com o líder máximo do país, Kim Jong-il –, iniciou hoje uma visita de cinco dias a Pequim, onde pretende colher sinais de solidariedade e onde foi recebido com uma declaração cautelosa mas cuidada nas palavras pela diplomacia chinesa.
“A situação actual na península coreana é cada vez mais complicada dado o número crescente de incertezas”, declarou esta manhã perante a imprensa o porta-voz do Ministério dos Negócios Estrangeiros chinês, Qin Gang, sublinhando a “inquietação” de Pequim face ao clima de tensão na região provocado pelo anúncio de Pyonyang de que irá lançar um foguetão-satélite em Abril. E instou “todas as partes” ao diálogo, com o objectivo de “manter a paz e a estabilidade na península coreana e na região”.
Nas últimas semanas, desde que a Coreia do Norte revelou que iria lançar um foguetão para colocar um satélite de comunicações em órbita, entre 4 e 8 de Abril, Estados Unidos, Japão e a Coreia do Sul têm vindo a deixar claro o quanto desaprovam esta iniciativa.
Suspeitam que as intenções de Pyonyang podem ser outras, nomeadamente que a Coreia do Norte pode estar a tentar fazer novo teste de míssil de longo alcance, capaz de alcançar o Alasca, no que contrariaria expressamente a resolução aprovada pelo Conselho de Segurança das Nações Unidas em Outubro de 2006.
A China, aliada próxima da Coreia do Norte, até à data não expressou ainda uma posição oficial sobre o plano de lançamento do foguetão – mas esta visita está a ser lida pelos analistas como um gesto de apoio, num momento em que o regime de Pyongyang surge criticado em quase todas as frentes da comunidade internacional.
O próprio primeiro-ministro norte-coreano declarou numa entrevista hoje no jornal oficial chinês "People’s Daily", que Pequim constitui uma “âncora” diplomática para Pyongyang em cenários de turbulência internacional. “A Coreia do Norte está satisfeita com a relação vigorosa de amizade que tem com a China durante estas tendências internacionais complexas e mutáveis”, sublinhou, avaliando que tal laço “dá uma contribuição real para assegurar a paz e a estabilidade na península coreana, na região do nordeste asiático e no mundo”
Ao longo dos próximos cinco dias, o primeiro-ministro norte-coreano – que à partida para Pequim deixou elogios rasgados à China como “bastião” de estabilidade nesta região – discutirá uma série de temas bilaterais e internacionais, numa agenda em que se incluem conversações com o Presidente chinês, Hu Jintao, e o chefe de Governo, Wen Jiabao.
Os dois países designaram 2009 como o “ano da amizade” entre Pequim e Pyongyang, com cerimónia de arranque a decorrer, aliás, durante esta visita de Kim Yong-il. A China é o maior e mais próximo aliado da Coreia do Norte – uma nação camarada, que Pequim trata com especial cuidado – e é também o país anfitrião das negociações a seis sobre o programa de desnuclearização da Coreia do Norte, em que participam também os Estados Unidos, Rússia, Coreia do Sul e Japão.


