O primeiro-ministro do Peru, Yehude Simon, anunciou que renunciava ao cargo numa altura em que o país atravessa uma grande contestação liderada pró sindicatos e organizações indígenas que têm deixado grande parte do país paralisado, segundo o diário espanhol El País.
“Como sabe, querido Presidente, assumi, como deve ser, o custo político desta desgraça”, escreveu Simon na carta de demissão. “E assumo-o pelo respeito que tenho ao país e lealdade ao seu Governo.”
A renúncia do chefe do Governo tinha sido anunciada depois da violência em Baga que causou 33 mortos em confrontos entre polícias e indígenas que protestavam contra leis que permitiam a venda de grandes partes da selva a multinacionais de petróleo e minas.
Mas o primeiro-ministro disse entretanto que vai concorrer à presidência em 2011. O actual Presidente, Alan Garcia, não poderá recandidatar-se. A sua taxa de aprovação tem descido aliás para 21 por cento na sequência do aumento do desemprego e lento crescimento económico.
Yehude Simon vai tentar conseguir o apoio do partido do Presidente.
A Reuters nota que Simon tinha sido escolhido por Garcia para primeiro-ministro devido ao seu passado de esquerda: o responsável tinha chegado a ser preso por pertencer a um grupo rebelde de esquerda. O Presidente pensou que este background ajudaria a manter calmos sindicatos e outros descontentes com a política económica do Governo.
Mas Simon não conseguiu fazer nada disso, e a oposição pediu recentemente a sua demissão por não conseguir prevenir a violência nos protestos do mês passado.
A sua carta de renúncia coincide mesmo, diz o jornal espanhol, com uma jornada de protestos convocados por uma plataforma de organizações sociais, a Frente Nacional pela Vida e Soberania, que exige a demissão do Governo, o fim da perseguição aos líderes da Amazónia e a reversão da política económica neoliberal do Governo do Presidente García.
Enquanto isso, o Sul do país estava paralisado há 72 horas desde terça-feira em apoio à Frente Nacional pela Vida e Soberania, enquanto na quarta-feira manifestações no resto do país terminaram com 156 detidos a nível nacional.


