Primeiro-ministro britânico rejeita cenário de legislativas antecipadas

19.05.2009 - 18:25 Por PÚBLICO
O primeiro-ministro britânico rejeitou hoje o cenário de eleições antecipadas na sequência do escândalo da apresentação indevida de despesas por vários deputados do Parlamento.
Gordon Brown disse que um novo escrutínio não iria resolver o problema mas defendeu a revisão do sistema parlamentar, poucas horas após a demissão do presidente do Parlamento, Michael Martin.
Brown estava a ser pressionado pela oposição conservadora liderada por David Cameron para convocar eleições legislativas antecipadas, uma vez que o Governo britânico não é obrigado a agendar um novo escrutínio antes de Junho do próximo ano. Mas a quem apelava a novas eleições o chefe de Governo respondeu que “o problema é o Parlamento e a solução é limpar o sistema”, disse em conferência de imprensa. “As pessoas que acreditam que isto pode ser posto em ordem através da mudança de nomes estão erradas”, acrescentou.
O presidente do Parlamento britânico, Michael Martin, tinha anunciado horas antes a demissão, com efeito a partir de 21 de Junho, “para preservar a unidade”. Uma moção de não confiança no presidente da Câmara dos Comuns tinha sido apresentada por 23 deputados de vários partidos e esta foi a primeira vez em 300 anos que um líder do Parlamento britânico foi pressionado para se demitir.
Em causa está um escândalo divulgado pelo diário britânico "Daily Telegraph" segundo o qual pelo menos 18 membros do Parlamento apresentaram despesas indevidas, por exemplo relacionadas com obras de renovação em casa, trabalhos de jardinagem ou decoração de interiores.
David Cameron, à frente nas sondagens, tinha dito à BBC, antes da conferência de imprensa de Brown, que as pessoas estão mais preocupadas com uma oportunidade para votar do que com a escolha de um novo presidente da Câmara dos Comuns. “As pessoas querem eleger um novo Parlamento. A sua visão é a de que trocar uma pessoa com um divertido traje preto por outra pessoa com um divertido traje preto não vai fazer diferença”, adiantou.


