Seria o primeiro processo contra Silvio Berlusconi a começar depois da lei que lhe dava imunidade ter sido declarada inconstitucional. O arranque estava marcado para hoje em Milão, mas foi adiado para 18 de Janeiro por causa da participação do primeiro-ministro da cimeira da FAO em Roma.
Os juízes de Milão aceitaram o argumento de “impedimento legítimo” avançado pelos advogados de Berlusconi, que já avisara que a participação nesta cimeira tornaria impossível a sua ida a tribunal.
Berlusconi é acusado de ter comprado, através da Mediaset, o seu grupo de media, direitos televisivos com valores inflacionados. A venda terá sido feita a empresas controladas também pelo actual primeiro-ministro.
Este não é o único processo que se avizinha para Berlusconi, nem o único dos seus problemas. Como habitualmente, o primeiro-ministro tem-se queixado de ser alvo de uma campanha para o destruir, que envolverá juízes, opositores, jornalistas.
“Berlusconi sob cerco” foi o título escolhido pelo diário “Il Giornale”, propriedade da sua família, para resumir, num artigo de domingo a pressão que ele enfrenta. O jornal promete “revelar a conspiração” contra o chefe de Governo e dono de um império mediático e da construção.
Uma semana antes, o mesmo jornal tinha passado uma espécie de recado de Berlusconi aos seus aliados no Povo da Liberdade e no Governo: ou apoiam a sua nova reforma judicial, que prevê alterar os prazos para as prescrições dos processos e assim salvá-lo das acusações que enfrenta, ou o Governo cairá e os italianos serão chamados a regressar às urnas.
Os grandes problemas para Berlusconi começaram quando a sua mulher anunciou em Maio que queria o divórcio, abrindo a porta para uma série de escândalos sexuais. Entretanto, caiu a lei da imunidade. Agora, procuradores acusaram o seu ministro adjunto do Tesouro de ligações à máfia.
Durante o fim-de-semana, soube-se que Berlusconi tem evitado a sua residência actual de Roma por acreditar que está sob ameaça da Al-Qaeda. “Estou muito preocupado. Há alguém que me quer fazer explodir”, disse, citado pelo “Corriere della Sera” e por outros jornais.


