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Primeira-ministra de Moçambique: "Portugal já não tem dogmas nos financiamentos"

13.11.2009 - 09:37 Por João Manuel Rocha, Luís Villalobos

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Luísa Diogo ainda não sabe se vai permanecer no cargo que ocupa desde 2004 Luísa Diogo ainda não sabe se vai permanecer no cargo que ocupa desde 2004 (Juda Ngwenya/Reuters)
A China não tem "dogmas", nem "uma agenda prévia", e é isso que a distingue de outros "parceiros" no relacionamento económico com África, afirma a primeira-ministra de Moçambique, Luísa Diogo, que está a notar "isso também em Portugal".

Numa entrevista à margem do encontro Global China Business, que esta semana decorreu em Lisboa, a chefe de Governo, de 51 anos, referiu-se às recentes eleições que reforçaram a Frelimo como um elemento de consolidação da democracia, disse desconhecer se vai manter-se no cargo que ocupa desde 2004 e considerou "absurdo" o cenário de poder ser uma futura candidata do partido governamental à Presidência da República.

Moçambique acaba de ter eleições. Como interpreta o reforço da Frelimo, a queda da Renamo e o aparecimento de um novo partido, o MDM?

A Frelimo e o candidato Armando Guebuza têm uma vitória esmagadora. A democracia está-se a consolidar, primeiro pela maneira como os moçambicanos encaram os manifestos eleitorais, a tranquilidade e a serenidade com que fazem as escolhas. Por outro lado, porque não há bipolarização, surgiu um terceiro partido, e isto mostra que em Moçambique a democracia ainda traz as suas novidades. A oposição não é só a voz da Renamo, vai passar a ser [também] a voz de mais um partido e isso é bom para os moçambicanos e para a Frelimo, que terá oportunidade de ouvir outras vozes.

Vai continuar em funções?

Isso não depende de mim. Faço parte de um partido que formou, e continua a formar, muitos quadros, tem um grande leque de escolhas e vai encontrar a pessoa mais indicada para primeiro-ministro. Se não for eu, vai certamente ser um dos melhores para que continue a dar os resultados que [o Governo] está a dar ao povo moçambicano.

Alguns países doadores mostraram reservas ao processo eleitoral. A possibilidade de uma alteração na atitude desses países, que são muito importantes para o Orçamento de Estado, é uma preocupação?

Os doadores, o grupo dos 19, reagiram na altura da deliberação quanto aos candidatos [rejeitados na corrida eleitoral] e mais tarde este mesmo grupo veio a manifestar uma grande tranquilidade, um grande alívio.

Havia duas alternativas: ou não se ia pela lei e derraparíamos completamente - porque [quer] os candidatos que tivessem a documentação em dia [quer] todos os outros entrariam [nas eleições]; ou então não entraria nenhum. O único parâmetro que podia ser utilizado, objectivo, era seguir a lei. O resto seria um terreno altamente movediço, considerando o número de candidatos. Se não se seguisse a lei, não haveria outro parâmetro objectivo para dizer: este entra como candidato, este não entra.

Falta mudar a lei para que haja um aperfeiçoamento?

A lei eleitoral tem beneficiado porque o processo democrático é jovem, o processo multipartidário começou em 1994, beneficia sempre de melhoramentos. O grande privilégio que Moçambique tem é que sempre que se debate no Parlamento, a lei procura sair sempre com um consenso. Mesmo que a Frelimo apareça com uma grande maioria, procura aproximar posições. Por acaso este assunto não foi objecto de divergência. As regras do jogo estavam na lei. O segundo aspecto que achei interessante é que, logo que se tomou a decisão, os partidos arregaçaram as mangas, avançaram para a campanha em festa. Não houve boicotes e as pessoas fizeram a sua votação com liberdade, transparência e tranquilidade.

Acha que os doadores ficaram satisfeitos?

Os parceiros têm manifestado a sua posição de tranquilidade, os observadores já se pronunciaram. São observadores da União Europeia [UE], da SADC [Comunidade para o Desenvolvimento da África Austral], da Commonwealth e os observadores nacionais. Todos manifestaram que a campanha foi um momento de festa. Eu tive oportunidade de ver observadores da UE na Zambézia, onde fiz a campanha, e ficavam impressionados com a maneira como a população fazia a festa da campanha eleitoral, em liberdade. As caravanas opostas cruzavam-se tranquilamente, sem confrontações. Portanto, quaisquer situações que tenham surgido são marginais e estamos satisfeitos.

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Luis Almada, em Africa se não se imposer e não houver uma agenda, o dinheiro desaparece ...

Afonso

13.11.2009 13:37

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