Primeira-ministra australiana quer investigação criminal ao naufrágio de refugiados

16.12.2010 - 09:24 Por PÚBLICO
As autoridades australianas anunciaram que vão abrir um inquérito criminal, no âmbito das leis contra o tráfico humano, ao naufrágio de ontem de um barco em que morreram pelo menos 27 pessoas que se crê serem refugiados.
A primeira-ministra, Julia Gillard, instou a que seja formada uma comissão bipartidária no Parlamento para investigar a tragédia cujo balanço de vítimas mortais disse que pode ainda aumentar.
Gillard afirmou ainda que o barco tinha a bordo mais do que os 70 passageiros que inicialmente se pensava, possivelmente até cem ou mais, e confirmou que apenas 42 pessoas foram salvas com vida das águas. As equipas de resgate permanecem no terreno, junto aos penhascos da ilha do Natal contra os quais a embarcação embateu, em busca de mais sobreviventes.
Crê-se que a maioria das pessoas a bordo da embarcação eram refugiados a tentarem chegar à Austrália desde a Indonésia, com origem inicial no Iraque e Irão. Ao longo dos últimos anos, um cada vez maior número de pessoas – oriundas do Sri Lanka, Irão e Iraque e também do Afeganistão – tentam chegar à Austrália em viagens de barco organizadas por traficantes.
“É um negócio horrível”, avaliou a chefe do Governo australiano, onde o debate sobre o tráfico humano está a ser relançado por este acidente. “Mas acho que os australianos estão hoje a responder a estes acontecimentos de forma muito humana”.
O partido de Gilliard conquistou um segundo mandado de Governo em Agosto passado, após firmar acordo de coligação com os Verdes e deputados independentes – ambos defendem uma política de asilo mais tolerante no país, onde a imigração continua a ser uma questão extremamente sensível.



