A polícia italiana anunciou ter detido um jovem identificado como o assassino do suspeito mafioso Mariano Bacio Terracino. O assassínio aconteceu em Maio, mas foi no fim do mês passado que as autoridades decidiram divulgar a gravação do crime, o que agora terá permitido descobrir o assassino.
Podia ter sido apenas mais um assassínio da máfia, mais uma vingança. Desta vez no centro de Nápoles, em plena luz do dia, é certo. À porta de um café. Mas sua gravação, por uma câmara de vigilância, foi vista em todo o mundo. As imagens dão ao crime um ar de naturalidade - a vítima fuma um cigarro, o jovem assassino veste calças de ganga, tem um boné de basebol, e disparara sem hesitar, junto à cabeça de Terracino. Em redor estão pessoas, mas não reagem. Há uma mulher que segue caminho, depois um homem que passa com uma criança junto ao corpo.
“O que me choca neste vídeo é a serenidade absoluta do assassino e das pessoas à volta. Este é o primeiro vídeo que mostra uma execução cometida pela Camorra”, comentara ao jornal “La Repubblica” Roberto Saviano, autor do livro “Gomorra”, no dia da divulgação das imagens, 29 de Outubro. As imagens, concluiu então Saviano, “mostram que em algumas partes de Itália a vida não vale nada”.
As autoridades divulgaram o vídeo quase seis meses depois do crime, com um apelo: queriam que fosse visto pelo maior número de pessoas e pediam informações sobre o assassino. O ministro do Interior, Roberto Maroni, criticou a decisão, dizendo que o vídeo “dá uma impressão de Nápoles muito diferente da realidade”.
O suspeito agora preso chama-se Constanzo Apice, tem 27 ou 28 anos e é natural do bairro don Guanella, nos arredores de Nápoles, onde é conhecido como um pequeno traficante de droga.
Os investigadores acreditam que o crime foi uma vingança. Mariano Bacio Terracino, de 53 anos, era suspeito de envolvimento em vários assaltos a bancos e teria ligações à máfia napolitana. Segundo os media italianos, Apice foi “provavelmente” identificado graças à colaboração de um membro do clã mafioso Secondigliano.



