O Presidente sírio, Bashar al-Assad, afirmou este domingo, numa entrevista à televisão estatal, que o Governo não se encontra em perigo, apesar dos protestos contra o regime que duram há vários meses.
Assad disse que a solução para o país é política, mas que a violência deve ser controlada firmemente pelas forças de segurança. Adiantou também que estavam a ser tomadas medidas para a introdução de um sistema multi-partidário e que seriam marcadas eleições para Fevereiro.
Entretanto, o Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas vai reunir-se em Genebra para discutir a crise na Síria, que já fez pelo menos 2500 mortos. Neste encontro espera-se uma resolução que condene o Governo sírio pelas suas acções repressoras contra os manifestantes pró-democracia.
Na entrevista, Assad avisou que qualquer intervenção militar estrangeira (na Síria) iria virar-se contra os seus autores. “Primeiro, pela localização geográfica do país, e segundo pelas suas capacidades”, acrescentou.
O chefe de Estado declarou que os opositores ao regime estavam a recorrer cada vez mais à violência, levando a cabo ataques contra militares, polícia e outras forças de segurança.
Para Assad, não deveria ser ele mas sim o Presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, e os outros líderes do Ocidente a demitirem-se, não só por causa dos derramamentos de sangue que provocaram no Afeganistão, no Iraque e na Líbia, como também pela crise política, económica e social que enfrentam.
Esta foi a quarta aparição pública do Presidente sírio desde que os protestos começaram em Março. Os manifestantes pedem a demissão de Assad, cuja família está no poder há 40 anos. Os Estados Unidos e vários países da União Europeia também já pediram a saída de Bashar al-Assad.
Como acordado, uma delegação da ONU chegou ao país para assistência humanitária e foi garantido acesso total às zonas mais afectadas pela violência, apesar de haver algum cepticismo sobre os limites desta cedência.
Apesar das recentes garantias de Bashar al-Assad, de que as operações do Exército e da polícia síria contra manifestantes tinham terminado, as páginas na Internet de activistas e os vídeos aí divulgados defendem o contrário.



