Última homenagem ao líder albanês do Kosovo decorre hoje em Pristina

Presidente sérvio impedido de comparecer no funeral de Rugova

26.01.2006 - 12:59 Por Pedro Caldeira Rodrigues , PÚBLICO

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Rugova deverá ser sepultado no "cemitério dos mártires", um complexo inicialmente dedicado às vítimas da Segunda Guerra Mundial Rugova deverá ser sepultado no "cemitério dos mártires", um complexo inicialmente dedicado às vítimas da Segunda Guerra Mundial (Visar Kryeziu/AP)
O Presidente da Sérvia, Boris Tadic, referiu ontem "lamentar profundamente" o facto de ser indesejado no funeral do líder albanês do Kosovo, Ibrahim Rugova, que hoje se celebra em Pristina, e considerou que está a ser desperdiçada mais uma oportunidade para ensaiar um reinício das relações entre as duas comunidades.

Em comunicado, Tadic, exprimiu o seu desapontamento, mas disse respeitar os desejos dos familiares, que consideraram "inaceitável a presença de um Presidente sérvio". Tadic tinha manifestado na segunda-feira o desejo de comparecer nas cerimónias e informou que iria pedir uma autorização de deslocação à missão local da ONU (Unmik), que na prática dirige este protectorado internacional desde o fim da guerra do Kosovo (Junho de 1999).

Adversário resoluto do regime sérvio, Rugova, definido como um símbolo da resistência pacífica ao domínio sérvio, morreu no passado sábado com 61 anos, na sequência de um cancro do pulmão. Ontem, milhares de albaneses continuavam a formar longas filas numa última homenagem ao presidente da província semiautónoma da Sérvia, com larga maioria de população albanesa, enquanto era aguardada a chegada de diversos responsáveis internacionais. Entre as personalidades que aterraram em Pristina incluem-se o Presidente da Albânia, Alfred Moisiu, o chefe da política externa da União Europeia (UE), Javier Solana, ou o mediador especial da ONU que vai dirigir as próximas conversações sobre o estatuto final do Kosovo e ex-Chefe de Estado finlandês, Martti Ahtisaari.

Rugova deverá ser sepultado no "cemitério dos mártires", um complexo inicialmente dedicado às vítimas da Segunda Guerra Mundial e que se tornou o local escolhido pelos rebeldes separatistas armados albaneses do Exército de Libertação do Kosovo (UÇK) para enterrar os seus combatentes. Na terça-feira, a associação de antigos combatentes opôs-se ao enterro de Rugova neste local, após acusar as instituições semi-autónomas da província de negligenciarem os antigos membros do grupo armado e suas famílias.

A generalidade dos analistas é unânime em considerar que o desaparecimento de Rugova vai complicar o processo de negociações directas sobre o estatuto final do Kosovo, mediadas pela ONU, e que devem iniciar-se em meados de Fevereiro. Na primeira reunião, agendada para Viena, as delegações sérvia e albanesa deverão debater a questão da descentralização da província.

Apesar de ter manifestado algumas divergências iniciais, a delegação sérvia alcançou uma posição comum em 10 de Janeiro passado, sugerindo um aumento dos poderes dos municípios e um novo mapa administrativo. No entanto, para os albaneses, esta eventualidade apenas será possível com um Kosovo independente, uma velha reivindicação que continua a ser totalmente rejeitada por Belgrado.

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