Reunidas as altas patentes militares – no habitual encontro anual no Kremlin – o Presidente russo, Dmitri Medvedev, disse hoje aquilo que os militares gostam de ouvir em Moscovo: a Rússia fará um “rearmamento em grande escala” do exército e da marinha já a partir de 2011, citavam-no as agências noticiosas Interfax e RIA Novosti.
“A análise da situação político-militar no mundo mostra que continua a existir um potencial de conflito sério em certas regiões, alimentado por crises locais e pelas tentativas incessantes da NATO de desenvolver a sua infra estrutura militar perto da Rússia”, avaliou o chefe de Estado que, em Maio passado, substituiu no Kremlin Vladimir Putin.
Por isso, Medvedev elegeu como prioritário “a modernização das Forças Armadas, numa nova perspectiva”, depois de, em 2008, a Rússia ter já “apetrechado com equipamentos modernos uma série de unidades militares”. E prometeu que tal será feito “apesar das correntes dificuldades financeiras” causadas pela crise económica global, que afectou profundamente a Rússia, cuja economia assenta largamente nas exportações de petróleo e gás, ambos com preços em queda vertiginosa nos mercados mundiais.
A primeira tarefa, indicou, é a de “aumentar a capacidade de combate” das forças russas, com as “as armas estratégicas nucleares” à cabeça. “Devem ser capazes de dar respostas a todas as necessidades indispensáveis para garantir a segurança da Rússia”, afirmou Medvedev – numa altura em que Moscovo dava sinais de um amenizar de tensões com o Ocidente, em particular com os Estados Unidos e a NATO, ao fim dos oito anos de permanente desafio bélico das presidências de Putin.
Promessa de Putin
Estas declarações são, de resto, o reiterar de uma promessa antiga do Kremlin, lançada desde os primeiros dias em que Vladimir Putin chegou ao poder há nove anos. Pelos finais de 2006, o então Presidente e agora primeiro-ministro assinaria com grande pompa e mediatismo o Programa de Armamento do Estado – declaração em viva voz da determinação das lideranças russas em restaurarem a grandiosidade militar do país depois dos anos de grande negligência da década de 1990.
Foi desde logo apresentado como um investimento de vulto, prevendo o influxo de cinco milhões de milhão de rublos (quase 140 mil milhões de euros) só em compras de armas até ao ano de 2015 – três quartos daquele valor para as forças armadas e o restante para as agências nacionais de segurança.
Um ano mais tarde, e com eleições legislativas à porta, Putin pormenorizou – numa reunião similar à que hoje Medvedev teve com as chefias militares russas – em que consistiam algumas dessas novas aquisições, com especial ênfase na aquisição de mísseis balísticos intercontinentais e submarinos.
Revelações que fez acompanhar da sua habitual retórica hostil contra os planos de expansão do escudo norte-americano de defesa antimíssil para a Polónia (dez mísseis interceptores) e República Checa (um radar de detecção) e as pretensões de alargamento da NATO para junto das fronteiras russas, bem dentro do espaço tradicional de influência geoestratégica da União Soviética (Ucrânia e Geórgia).



