Presidente paquistanês diz que atentado reforça determinação na luta contra o terrorismo

20.09.2008 - 21:01 Por PÚBLICO, Agências
O novo Presidente paquistanês diz que o atentado desta noite contra o Hotel Marriott, que terá provocado entre 40 e 60 mortos e mais de duas centenas de feridos, reforça a determinação do Governo na luta contra o terrorismo.
“O Governo continuará a combater o terrorismo e o extremismo em todas as suas formas e manifestações e tais actos ignóbeis não vão abalar a nossa determinação em lutar contra esta ameaça”, afirmou Asif Ali Zardari, viúvo da ex-primeira-ministra Benazir Bhutto, também ela vitimada por um atentado, em Dezembro passado, durante a campanha para as legislativas que o seu partido acabaria por vencer.
Segundo as últimas informações, a explosão foi causada por um camião carregado de explosivos – e não por um carro, como inicialmente avançado – que embateu contra o muro de segurança erguido frente ao hotel, provocando no local uma cratera com vários metros de diâmetro.
A força da detonação pulverizou vidros num raio de um quilómetro e provocou graves danos no hotel, agravados pelo incêndio que continua a consumir vários andares do edifício, com 290 quartos. Os serviços de emergência temem que muitas pessoas tenham ficado presas pelas chamas nos andares superiores do hotel, tendo enviado gruas para o local a fim de facilitar a sua retirada.
A explosão fez também desabar o tecto de uma sala de banquetes onde se encontravam entre 200 a 300 pessoas que celebravam o fim do jejum diário, respeitado pelos muçulmanos durante o mês sagrado do Ramadão. O chefe de um dos cinco restaurantes do hotel adiantou que as cozinhas, cheias de funcionários àquela hora ficaram irreconhecíveis.
“É o 11 de Setembro do Paquistão”, afirmou o director do jornal “Daily Times” em declarações à televisão pública, confirmando este como um dos mais sangrentos atentados ocorridos no último ano no Paquistão, só superado pelo ataque contra a caravana de Benazir Bhutto, no dia em que a ex-primeira-ministra regressava ao país após anos de exílio. O ataque, dois meses antes do que viria a fulminar Bhutto, resultou na morte de 139 pessoas.
O facto de o hotel ser muito frequentado por estrangeiros faz supor a existência de vítimas de várias nacionalidades. Os serviços de emergência dizem ter informação de pelo menos um norte-americano entre os mortos, enquanto as representações da Dinamarca, Arábia Saudita e Polónia admitem que ainda não conseguiram localizar vários dos seus cidadãos que estavam hospedados na unidade.
Apesar do forte dispositivo de segurança existente no local este é o terceiro atentado em sete anos a visar o Marriott de Islamabad, propriedade de uma cadeia homónima sediada nos EUA, embora as anteriores tenham apenas provocado danos menores.
Segundo a Reuters, a explosão desta noite foi a mais potente registada em Islamabad desde 2001, quando o então Presidente Pervez Musharraf anunciou o seu apoio à “guerra contra o terrorismo” desencadeada pela Administração Bush após os atentados de 11 de Setembro. Esta aliança custou ao país centenas de mortos, em dezenas de atentados atribuídos a movimentos extremistas islâmicos, considerados próximos do antigo regime taliban afegão e da rede terrorista Al-Qaeda.
Horas antes do atentado, Zardari comprometeu-se perante o Parlamento a continuar a luta contra os fundamentalistas islâmicos, mas garantiu que não irá tolerar novas invasões do território nacional, num claro aviso às tropas americanas estacionadas no Afeganistão.


