O Presidente palestiniano, Mahmud Abbas, declarou hoje “ilegal” a força paramilitar do Hamas, exortando o movimento islâmico na liderança do Governo a integrar a sua força nos órgãos de segurança existentes.
“À luz do caos na segurança e de vários assassinatos (...), que não poupam as crianças, e do falhanço dos grupos palestinianos e dos serviços de segurança em fazerem cumprir a lei e protegerem o cidadão, o Presidente decidiu alterações e nomeações nos serviços e na sua direcção”, avança um comunicado divulgado pelo gabinete de Abbas, sem precisar que mudanças vai realizar.
A mesma nota acrescenta que a “força executiva [controlada pelo ministro do Interior do Hamas] foi considerada ilegal e fora-da-lei e será tratada como tal se não for integrada imediatamente (...) nos serviços de segurança legais como estipulado na Lei fundamental”, a Constituição palestiniana.
O anúncio de Abbas acontece dois dias depois de membros da força do Hamas terem atacado a residência de um comandante das forças de segurança em Gaza, provocando a morte do responsável e de sete dos seus guarda-costas. A vítima era membro da força de segurança preventiva, leal ao partido de Abbas, a Fatah.
Braço de ferro entre Hamas e Fatah
O Hamas e a Fatah — do Presidente palestiniano, Mahmud Abbas — estão envolvidas numa prova de força, depois de o dirigente da Autoridade Palestiniana ter anunciado no passado dia 16 a realização de eleições antecipadas, menos de um ano depois das legislativas de Janeiro, que deram a vitória ao Hamas. Abbas considera que as eleições poderão ajudar a encontrar uma solução para a crise política, já que os dois movimentos palestinianos não conseguiram, até hoje, formar um Governo de unidade nacional. O controlo das poderosas forças de segurança palestinianas está igualmente no centro da disputa.
Com Abbas a reclamar a autoridade sobre a maioria das forças de segurança, o Hamas formou, no ano passado, a sua própria unidade, conhecida como “força executiva”. O Presidente palestiniano aceitou nos últimos meses integrar a unidade do Hamas nas forças de segurança existentes, mas essa proposta não obteve qualquer resposta do movimento islâmico. Hoje, Abbas reiterou a sua oferta mas sublinhou que não ficará eternamente à espera de uma resposta. O porta-voz do Hamas, Fawzi Barhoum, considerou que o anúncio do Presidente palestiniano foi “deslocado e inútil”.



