Presidente Obiang continua a querer que a UNESCO tenha um prémio com o seu nome

04.08.2010 - 11:46 Por PÚBLICO
O Presidente da Guiné Equatorial, Teodoro Obiang Nguema, há 31 anos no poder, insistiu ontem em que a UNESCO virá a ter um prémio com o seu nome, apesar da contestação de que essa ideia tem vindo a ser alvo.
"Os que se opõem a isso não querem ouvir o meu nome, mas não recusam o dinheiro", argumentou o mecenas do proposto Prémio UNESCO-Obiang para as Ciências da Vida, que ofereceu três milhões de dólares (2,27 milhões de euros) para esta iniciativa actualmente em suspenso, devido às muitas críticas de que foi alvo.
No dia 15 de Junho a Junta Executiva da Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) decidiu adiar a concessão do prémio que fora instituído com o nome de alguém que muitos consideram um ditador.
O destino definitivo da iniciativa deverá ser traçado na próxima reunião da junta, em Outubro, continuando entretanto a organização não governamental EG Justice (que faz campanha por uma "Guiné Equatorial justa") a defender que o dinheiro destinado ao prémio "seja usado em benefício da população".
Tal como ela, também alguns académicos e até mesmo um Prémio Nobel da Paz, o sul-africano Desmond Tutu, se têm manifestado indignados com a ideia de haver um prémio internacional com o nome de um Presidente que dirige o seu país com mão de ferro, não respeitando os direitos humanos.
"Os críticos internacionais falam de alternância, mas aqui também há alternância. Se estou no poder desde 3 de Agosto de 1979 é porque há alternância. Fazemos eleições e temos o Partido Democrático da Guiné Equatorial", disse ontem Obiang, que chegou ao poder dando um golpe de Estado contra o Presidente Macias Nguema Biyogo, que era seu tio e que ele em seguida mandou fuzilar.
No trigésimo primeiro aniversário do chamado "golpe da liberdade", o chefe de Estado observou existir na Guiné Equatorial "um pequeno grupo de pessoas que tem recorrido muito à corrupção, pelo que o Governo deve abrir uma investigação sobre os bens dessas pessoas".
No dia 23 de Julho, tendo em consideração o pedido formal da Guiné Equatorial de obtenção do estatuto de membro de pleno direito da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), a conferência de chefes de Estado e de Governo que a mesma realizou em Luanda decidiu abrir negociações relativas a "um processo de adesão conforme às normas estatutárias".
Actualmente as autoridades de Malabo gozam na CPLP do estatuto de observadoras, pelo que Obiang tem estado presente nas mais recentes cimeiras lusófonas.

