Líderes palestinianos querem primeiro-ministro isolado

Presidente Obama saúda discurso de Netanyahu como "um passo em frente"

15.06.2009 - 09:39 Por PÚBLICO

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Netanyahu ontem depois do discurso na Universidade Bar-Ilan perto de Telavive Netanyahu ontem depois do discurso na Universidade Bar-Ilan perto de Telavive (Baz Ratner/Reuters )
A Casa Branca qualificou o discurso do primeiro-ministro israelita como “um passo em frente” para a paz no Médio Oriente. Mas para a Autoridade Palestiniana (AP), é uma prova de que as potências mundiais deveriam isolar Benjamin Netanyahu.

Numa comunicação há muito aguardada – e vista como uma resposta ao discurso que o Presidente norte-americano, Barack Obama, dirigiu ao mundo muçulmano – Netanyahu afirmou no domingo apoiar a criação de um Estado palestiniano, mas com condições. A primeira é que Israel tem de ser reconhecido como um Estado judaico. Para além disso, um Estado palestiniano teria de ser desmilitarizado.

“A comunidade internacional deve confrontar esta política pela qual Netanyahu quer matar qualquer possibilidade de paz”, comentou à Reuters o conselheiro da AP, Yasser Abed Rabbo. “Devem isolar e confrontar esta política que Netanyahu quer adoptar e exercer alguma pressão sobre ele para que adira à legitimidade internacional e ao Roteiro de Paz”, delineado pelos Estados Unidos em 2003.

Netanyahu também afirmou que Jerusalém será a capital de Israel (e apenas de Israel, negando as aspirações palestinianas à cidade).

Mas ao contrário do que pretende Raboo, o Presidente Obama ouviu o discurso do líder israelita como “um importante passo em frente”, refere um comunicado da Casa Branca. Obama é “favorável a uma solução de dois Estados, um Estado judaico em Israel e um palestiniano independente, na terra histórica de dois povos”, cita a AFP. “Ele acredita que esta solução deve garantir a segurança de Israel e satisfazer as aspirações legítimas dos palestinianos a um Estado viável, e saúda o facto de Netanyahu ter adoptado este objectivo”.

Também a União Europeia saudou o discurso, embora de forma cautelosa. “Na minha opinião, este é um passo na direcção certa. A aceitação de um Estado palestiniano está lá presente”, comentou o ministro checo dos Negócios Estrangeiros, Jan Kohout. Para o seu homólogo sueco Carl Bildt – cujo país herdará da República Checa a presidência rotativa da UE em Julho – trata-se no entanto de “um pequeno passo em frente”.

Num duro artigo publicado no diário israelita “Ha’aretz”, Akiva Eldar comenta que o discurso do primeiro-ministro “fez regressar o Médio Oriente aos dias do ‘eixo do mal’ do Presidente George W. Bush". Netanyahu fez um discurso patriarcal, colonialista, na melhor das tradições neo-conservadoras: os árabes são os tipos maus, ou na melhor das hipóteses, uns terroristas ingratos; os judeus, claro, são os bons, pessoas racionais que precisam de cuidar das suas crianças”. E adianta: “A exigência de que os palestinianos reconheçam Israel como um Estado do povo judeu não deixa uma brecha para uma reconciliação com os cidadãos árabes do país”.

Hamas fora de negociações

Netanyahu disse estar pronto a negociar com todos os países árabes. Mas, frisou, não aceita sentar-se à mesa com o Hamas, que controla a Faixa de Gaza, porque esta organização palestiniana deseja a “destruição de Israel”. A raiz do problema do conflito israelo-palestiniano, defendeu, é a insistência dos países árabes em não reconhecer o Estado de Israel.

Quanto à questão dos colonatos israelitas, o primeiro-ministro afirmou que não serão construídos novos – mas disse também que a questão dos refugiados palestinianos deve ser resolvida “fora de Israel”. “A retirada de territórios em troca da paz é um princípio que não passou no teste da realidade.”

A ideia nova que apresentou neste discurso foi a da possibilidade da criação de um Estado palestiniano mas apenas se for desmilitarizado, sem controlo do seu espaço aéreo. “Não queremos que com o tempo surja outro Hamastão. A segurança de Israel é primordial”, disse o governante israelita, referindo-se à Faixa de Gaza. A garantia da desmilitarização teria de ser vigiada e controlada “pelos nossos amigos da comunidade internacional, liderados pelos Estados Unidos”, adiantou.

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É evidente,

É evidente que o mundo deixou de fingir que desconhece os jogos e intenções dos governos ...

Anónimo

16.06.2009 01:18

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