O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, recusou hoje voltar a suspender as actividades nucleares da República Islâmica e afirmou que os países ocidentais "mentem" quando pedem a suspensão como medida de confiança.
"O Governo tomou consciência recentemente de que este argumento da confiança [invocado pela União Europeia e Estados Unidos] é falso, e de que o que eles querem é privar-nos do ciclo de produção de combustível nuclear", afirmou Ahmadinejad.
"Nós sabemos desde o início que eles mentem e que o que eles não querem é que a República Islâmica disponha de um ciclo de combustível", adiantou o Presidente iraniano, perante estudantes das milícias islâmicas, em Teerão.
"Apoiamos o retomar das actividades na unidade de conversão de urânio e vamos continuar", reiterou Ahmadinejad, que tomou posse como Presidente em Agosto.
O governo anterior, criticou o Presidente iraniano, "cedeu em nome da confiança, ao suspender voluntariamente as actividades do ciclo de combustível em Isfahan e Nataz, que são, no entanto, cem por cento legais e não dão lugar a qualquer desvio".
Depois de uma suspensão de perto de dez meses, as actividades da unidade de conversão de urânio próximo da cidade de Isfahan foram retomadas em Agosto.
Falando em Setembro perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, o Presidente iraniano afirmou que o país tem um "direito inalienável" de produzir combustível nuclear.
Consequentemente, a Autoridade Internacional para a Energia Atómica (IAEA) aprovou uma resolução que remete o Irão para o Conselho de Segurança das Nações Unidas, com o fundamento de que não está a cumprir as medidas internacionais.
Um estudo recente do Instituto Internacional de Estudos Estratégicos concluiu que o Irão está ainda a alguns anos de obter armas nucleares.


