Presidente iraniano confirma disponibilidade para a cooperação e troca de combustível nuclear

29.10.2009 - 08:56 Por PÚBLICO
O chefe de Estado iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, reiterou hoje que o país não irá recuar “nem um passo” no direito de desenvolver um programa nuclear, mas revelou expressamente também a vontade em cooperar no palco internacional nas questões ligadas ao combustível e tecnologia atómica, no âmbito do plano de acordo avançado em meados deste mês pela Agência Internacional de Energia Atómica, organismo das Nações Unidas.
“Antes exigiam-nos a paragem [do programa iraniano de enriquecimento de urânio] e agora já aceitam a troca de combustível, a participação na construção de reactores e de centrais nucleares. Eles passaram da política de confrontação à de cooperação”, afirmou Ahmadinejad, num discurso transmitido pela televisão estatal, e em referência ao processo de negociações desenvolvido no seio do chamado grupo dos seis (os cinco membros do Conselho de Segurança da ONU – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – mais a Alemanha).
A oferta da AIEA de fornecimento de combustível nuclear para o reactor de pesquisas de Teerão constitui, por isso uma oportunidade para avaliar “a honestidade” das grandes potências e da própria agência de monitorização atómica da ONU, frisou Ahmadinejad. O programa nuclear iraniano é olhado com intensa suspeita, sobretudo a Ocidente, temendo-se que o regime tenha ambições de construir armas nucleares.
Ahmadinejad veio agora confirmar a disponibilidade de Teerão em dar aval ao plano da AIEA – segundo o qual o Irão deverá entregar à Rússia e França 80 por cento das suas reservas conhecidas de urânio enriquecido a baixos níveis para um mais intenso processamento. “Acolhemos favoravelmente a troca de combustível e a cooperação nuclear. Estamos prontos a cooperar”, afirmou quando é esperada – hoje mesmo – a resposta formal do Irão à proposta da AIEA.
Ao longo dos últimos dias, o regime iraniano veio sempre sugerindo estar disponível a aceitar enviar 80 por cento das suas 1,5 toneladas de urânio enriquecido abaixo de cinco por cento para que este seja submetido a um processo que o torna inócuo: deixa de poder ser usado em ogivas nucleares e apenas é utilizável na produção de energia – o propósito que o Irão sempre manteve como sendo o seu único objectivo para desenvolver um programa nuclear. Mas foi dando conta também que pretende fazer algumas “alterações” ao texto do acordo, algo que foi considerado “desnecessário” pelo chefe da diplomacia da União Europeia, Javier Solana.


