Estados Unidos disponíveis para “ouvir” nova proposta de Teerão

Presidente iraniano aceita enviar urânio para países terceiros

03.02.2010 - 09:14 Por PÚBLICO

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O Presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, afirmou estar pronto a enviar o urânio produzido no país para ser enriquecido em países terceiros em troca de fornecimentos de combustível nuclear.

Esta declaração constitui aparentemente uma radical mudança de posição do regime de Teerão sobre o seu polémico programa atómico.

“Não temos qualquer problema em mandar o nosso urânio para fora. O que propomos é: nós enviamos o nosso urânio enriquecido a 3,5 por cento e recebemos combustível [nuclear] em troca. Cremos que poderá demorar uns quatro a cinco meses até recebermos [o urânio transformado em combustível] de volta”, afirmou ontem à noite, em declarações à televisão estatal iraniana.

Os Estados Unidos acolheram estas declarações com alguma precaução, mas também disponibilidade para analisar qualquer nova proposta que o regime de Teerão tenha para fazer de maneira a pôr fim ao impasse nas negociações sobre o seu muito contestado programa nuclear.

“Se o Irão tem algo de novo para dizer, estamos prontos para ouvir”, afirmou um responsável da Administração norte-americana em Washington, citado mas não identificado pela agência noticiosa Reuters.

Da Rússia veio um acolhimento mais caloroso, com o ministro dos Negócios Estrangeiros, Serguei Lavrov, a declarar que um regresso do Irão às negociações sobre o programa nuclear "não pode se não ser saudado".

Londres avaliou o passo de Ahmadinejad como "positivo" se tal significar que Teerão está a aceitar o quadro de acordo proposto pelo Ocidente em Outubro passado no que toca ao urânio enriquecido. Em comunicado do Ministério dos negócios Estrangeiros é sublinhado ainda que o regresso do Irão às negociações mais abrangentes a seis (os cinco membros do Conselho de Segurança das Nações Unidas ONU – Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China – mais a Alemanha) sobre o programa nuclear permanece como "ponto crucial para resolver as inquietações internacionais".

Ahmadinejad pareceu, pela primeira vez, pôr de lado as condições que o Irão exigia para aceitar o acordo proposto pela Agência Internacional de Energia Atómica (IAEA), organismo de vigilância nuclear das Nações Unidas. O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Manouchehr Mottaki, precisou mais tarde que o urânio poderia ser enviado para a Turquia, Brasil ou Japão caso seja alcançado um acordo nesse sentido.

Nos termos da proposta de entendimento avançada pela AIEA o Irão passaria a enviar o urânio para ser mais fortemente enriquecido em França e na Rússia – a um ponto em que já não pode tecnicamente ser usado para mais que não seja a produção de electricidade – em troca de fornecimentos de combustível nuclear para um reactor de pesquisas médicas.

Mas as negociações jamais avançaram para algo de substancial, com o Ocidente a manter uma frente de enorme pressão sobre o regime, alimentada pelo receio de que Teerão queira desenvolver armas nucleares.

Já esta amanhã, os media estatais iranianos anunciaram que o país testou com sucesso um foguetão de lançamento de satélites de comunicação, o que seguramente voltará a dar fôlego às apreensões do ocidente sobre as capacidades tecnológicas balísticas de longo alcance de Teerão.

Apesar do Irão negar ter intenções bélicas, Washington e outras capitais ocidentais temem que os mesmo mísseis que servem para pôr em órbita satélites possam ser usados para lançar ogivas nucleares.

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Pois

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JN

03.02.2010 14:45

X

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