O Presidente egípcio, Hosni Mubarak, nomeou um Governo com novos ministros das Finanças e Interior, mas manteve o responsável pela Defesa, segundo a televisão do Estado.
O ministro do Interior, Habib el-Adli, que ocupava o cargo desde 1993, foi afastado. O responsável era a cara da repressão policial aos manifestantes que provocou pelo menos 138 mortos e a sua demissão era cada vez mais pedida nas ruas. O novo ministro do Interior é o general Mahmoud Wagdy, que tinha chefiado o departamento de investigações criminais no Cairo e também tinha sido responsável pelas prisões.
Uma fonte tinha também avançado um nome para substituir o antigo ministro das Fianças, Youssef Boutros-Ghali. Mas o presumível substituto, Gawdat el-Malt, negou que tivesse entrado para o Governo. O novo ministro é afinal Samir Mohamed Radwan. O ministro dos Negócios Estrangeiros, Ahmed Aboul Gheit, também se mantém no cargo.
Quando o Exército tem um papel cada vez mais essencial no desenrolar da crise, Mubarak manteve o ministro da Defesa, Mohamed Hussein Tantawi, no cargo desde 1991, e promoveu-o ainda a vice-primeiro-ministro.
O cargo de vice-presidente é ocupado pelo antigo chefe dos serviços secretos, Omar Suleiman, e o de primeiro-ministro por outra figura vinda de fileiras militares, Ahmed Shafiq. Todas as importantes posições do regime estão assim dominadas por militares.
A agência francesa AFP nota que no novo Governo não tem nenhum representante do mundo dos negócios, considerado próximo do filho de Mubarak, Gamal. O filho estava a ser visto como o potencial sucessor de Mubarak, mas a nomeação de Suleiman como vice-presidente parece ter posto fim a esta possibilidade.
Mas as dezenas de milhares de pessoas continuavam na praça Tahrir a pedir a demissão do Governo: “Saiam. Queremos que saiam!”
Notícia actualizada às 18h50



