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Relações económicas dominarão a agenda da visita de hoje à China

Presidente dos EUA vai dizer que não se deve temer o gigante asiático

16.11.2009 - 08:52 Por Francisca Gorjão Henriques

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Se há um país envolvido em muitas das preocupações americanas - programas nucleares da Coreia do Norte e do Irão, aquecimento global, saídas para a crise económica, direitos humanos... - é a China.
Obama num encontro com futuros líderes chineses no Museu da Ciência e da Tecnologia de Xangai Obama num encontro com futuros líderes chineses no Museu da Ciência e da Tecnologia de Xangai (Jason Reed/Reuters)

As questões em cima da mesa durante a visita do Presidente Barack Obama a Xangai, onde chegou ontem ao fim do dia, e Pequim são variadas, e muito sensíveis. Mas é possível prever alguns sucessos.

Obama anunciou há meses que a aliança EUA-China seria a força do século XXI. Washington tem procurado passar a mensagem de que não há nada a temer do "gigante" chinês, salientando o papel de Pequim como motor de uma transformação. "Vejo a China como um parceiro fundamental, tal como um competidor", afirmou numa entrevista à Reuters na semana passada.

"A chave é termos a certeza de que a competição é amigável, e que é uma competição para clientes e mercados, dentro das regras internacionais bem definidas, das quais a China e os EUA participam, mas também que juntos podemos encorajar um comportamento mais responsável em todo o mundo."

Potências colaborantes

"As relações EUA-China estão num estado bastante bom, até porque a disputa de Taiwan [que Pequim considera uma província renegada e que Washington apoia] está a ter menos saliência, devido aos desenvolvimentos políticos" na ilha, comentou ao PÚBLICO Tim Huxley, director do programa asiático do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais (IISS), de Londres. "Estas duas potências encontraram muitas áreas importantes de colaboração."

Se os quatro países que fazem parte do périplo de Obama (Japão, Singapura, China e Coreia do Sul) são relevantes, "a visita a Pequim será a mais importante", afirma Huxley. "Falará de questões monetárias e comerciais, alterações climáticas, direitos humanos e do Tibete. Todos estes assuntos são à partida difíceis mas, por causa do clima geral das relações bilaterais, podemos esperar que as conversações sejam amenas e que haja uma declaração final conjunta."

Significa isto que a viagem será um sucesso? Não necessariamente. Será difícil a Obama evitar a questão espinhosa dos direitos humanos e do estatuto do Tibete. O Presidente adiou para depois da visita um encontro com o Dalai Lama, para que este não fosse uma pedra no jantar que hoje lhe oferece o seu homólogo Hu Jintao.

Para Kenneth Roth, da Human Rights Watch, "a questão dos direitos humanos será um teste" ao empenho de Obama nesta matéria. "O Governo chinês está a apostar que o Presidente Obama não levantará a questão dos direitos humanos, enquanto os activistas chineses da sociedade civil, advogados e críticos pacíficos - o tipo de pessoas com que o Presidente costuma alinhar-se - estão fervorosamente à espera que o faça", escreveu Roth numa carta dirigida a Obama.

Na mesma entrevista à Reuters, Obama afirmou que a questão é importante nas relações com a China. E o director para a Ásia Oriental do Conselho Nacional de Segurança, Jeffrey Bader, assegurou aos jornalistas que o líder americano falará de "liberdade de expressão, acesso à informação, liberdade religiosa, estado de direito e, certamente, o Tibete".

Entre os assuntos de política externa que estão por resolver, a questão do programa nuclear norte-coreano promete gerar dificuldades. "A Coreia do Norte é claramente a questão diplomática mais dramática", diz ao PÚBLICO Jeffrey Engel, especialista em relações sino-americanas do Scowcroft Institute for International Affairs (Texas).

"Garantir que as duas potências, China e EUA, estão de acordo quanto à forma como se lidará com Pyongyang no futuro será crucial para a Administração. E garantir que todos os outros actores regionais - incluindo Rússia, Japão e Coreia do Sul - estão afinados pelo mesmo diapasão quanto à Coreia do Norte será um teste fundamental a toda esta ronda asiática."

O bom cidadão do mundo

Esta é a primeira vez que Obama visita a China enquanto Presidente. E a etapa era inevitável, já que nenhuma Administração americana se pode dar ao luxo de ignorar o país a quem os EUA mais devem dinheiro, e que é também o seu segundo parceiro comercial. Pequim tem nos seus cofres 2,3 biliões de reservas estrangeiras, principalmente dólares (comprados para conseguir manter a sua própria moeda, o yuan, baixa) e pode jogar isso a seu favor.

"As questões económicas dominarão claramente a relação sino-americana", diz ainda Engel. "Sem dúvida que o Presidente Obama se irá focar nas questões comerciais e financeiras, e com razão: a China tem uma quantidade sem precedentes de Obrigações do Tesouro e outros títulos de dívida norte-americana."

Antes de iniciar a ronda que o leva a quatro países asiáticos (esteve já no Japão e Singapura e visitará ainda a Coreia do Sul), Obama lançou um aviso: "A China tem uma quantidade gigantesca de dólares americanos, por isso o nosso sucesso é importante para eles", declarou. "Se não resolvermos os nossos problemas, isso irá gerar uma enorme pressão política e económica na nossa relação."

Engel adianta que, "até agora, Pequim tem desempenhado o papel do bom cidadão do mundo, ao ajudar a minimizar o impacto da recente crise financeira. O Presidente Obama irá discutir formas de integrar ainda mais o planeamento financeiro chinês, e por isso o yuan e outras questões monetárias estarão no centro da sua agenda." A China também não está interessada numa desvalorização do dólar, que diminuiria o valor das suas reservas e colocaria em causa o ritmo das suas exportações, salienta a revista "Forbes".

É possível que se consigam avanços mais concretos num outro plano: o do ambiente. A Stratfor fazia eco de rumores de que "Washington e Pequim estiveram a preparar um acordo bilateral (ainda que por baixo da mesa) sobre uma política de alterações climáticas que poderia determinar o sucesso da cimeira da ONU sobre o clima, em Copenhaga, em Dezembro".

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