Presidente do Sudão em segunda visita ao estrangeiro desde que foi alvo de mandado de captura internacional 
25.03.2009 - 11:30 Por Jorge Heitor
O Presidente do Sudão, Omar Hassan al-Bashir, chegou hoje ao Cairo, na sua segunda deslocação ao estrangeiro desde que o Tribunal Penal Internacional (TPI) passou em seu nome um mandado de captura, por crimes de guerra e crimes contra a humanidade no Darfur.
Em teoria, o marechal de campo Bashir arrisca-se a ser detido sempre que deixar o seu país, mas a verdade é que o Egipto, que tem relações muito boas e antigas com o Sudão, já pediu ao Conselho de Segurança das Nações Unidas para suspender o mandado passado pelo TPI.
Mohamed Adam Mohamed Suleiman, um dos adidos de imprensa na embaixada sudanesa no Cairo, disse à estação árabe Al-Jazira que o visitante vai debater com o seu homólogo egípcio, Hosni Mubarak, assuntos relacionados com o mandado de captura.
O Governo de Cartum disse na altura que o Presidente iria ignorar a determinação do TPI. Na segunda-feira Bashir já esteve na Eritreia, outro dos países seus amigos.
Ontem, o primeiro-ministro do Qatar, xeque Hamad bin Jassem al-Thani, foi ao Sudão procurar convencê-lo a participar sexta-feira numa cimeira árabe que se realiza na capital do Qatar, Doha, e que dará particular atenção aos problemas da vasta região sudanesa do Darfur.
"Doha não vai ceder a pressões e Al-Bashir é absolutamente livre de tomar a decisão apropriada, quanto a participar ou não na cimeira", disse o xeque Thani.
O Presidente sudanês conta essencialmente com o apoio da China, de muitos dos países árabes e da generalidade da África para se manter impune às acusações de crimes de guerra que lhe são feitas pelo TPI pelo apoio do seu Governo às milícias janjawid no Darfur.
Novo alerta humanitário
Entretanto, mais de um milhão de habitantes do Darfur ficarão em Maio sem alimentos se não houver mais agências humanitárias a distribuí-los, indica um estudo conjunto do próprio Sudão e das Nações Unidas, ontem citado pela BBC.
Poderá até haver grande escassez de água já dentro de duas semanas, depois de as autoridades sudanesas terem expulso 13 grandes agências humanitárias estrangeiras, que na sua maior parte trabalhavam no Darfur.
Tais agências foram acusadas pelo Presidente Bashir de fazerem espionagem a favor do TPI, que acusa o regime sudanês de promover atrocidades contra os civis do Darfur, onde nos últimos seis anos morreram pelo menos 300 mil pessoas, tendo 2,7 milhões sido obrigadas a deixar as suas casas.

