Ali Abdullah Saleh, o Presidente do Iémen, anunciou ontem que deseja fazer uma transferência pacífica do poder. Porém, impôs condições.
Primeiro, Saleh quer um acordo assinado com a oposição sobre o processo de transição; depois (e só depois) do acordo firmado a realização de eleições presidenciais e legislativas.
Num discurso transmitido pela televisão pública iémenita, Saleh disse ter autorizado o vice-Presidente a iniciar o diálogo com a oposição e, num tom que o canal de tv Al Jazira definou como de desafio, disse à oposição que o conflito armado não os levará a lado algum.
“O derramamento de sangue não lhes dará o poder”. Voltou a acusar as partes beligerantes - forças pró-Saleh, anti-Saleh e outras - de serem da Al Qaeda.
Um discurso que, explicou o analista de Médio Oriente do Qatar Mahjoob Zweiri, desiludiu os que exigem a sua demissão e que, por isso e por mencionar a Al Qaeda, pode fazer escalar ainda mais a violência.
Saleh está no poder há três décadas. Há três meses sofreu um atentado que o deixou ferido e saiu do país. Porém, regressou no final da semana passada. O conflito entre as facções armadas e a repressão sobre os manifestantes já fez centenas de mortos desde o início da contestação popular, no início do ano.



