Presidente deposto das Honduras vai tentar outra vez passar a fronteira 
25.07.2009 - 18:42 Por Agências
O Presidente das Honduras, Manuel Zelaya, destituído do cargo por um golpe de Estado, afirma que vai tentar outra vez entrar em território hondurenho, tal como fez ontem – por breves minutos – a partir da fronteira com a Nicarágua. Os seus apoiantes concentram-se junto à fronteira, a sua mulher está lá também, mas ainda não é claro se tentará mesmo passar a fronteira, ou se se ficará por uma conferência de imprensa.
Apesar de parecer desafiador, Zelaya não parece ter grande vontade de entrar em confronto com as forças policiais e militares convocadas para impedir a sua entrada nas Honduras, relata a agência Reuters, no local.
“O povo hondurenho não aceita ditadores. Não podem governar este país à força de baioneta, nem eu o poderei fazer, se não chegarmos a um acordo”, disse Manuel Zelaya à Radio Globo, das Honduras, dirigindo-se a Roberto Micheletti, chefe do Governo de facto que o substituiu, desde 28 de Junho.
Os Estados Unidos, a ONU e vários presidentes da América Latina condenaram redondamente o afadtamento do poder de Zelaya. Mas também não estão a apoiar esta tentativa de entrar no território hondurenho sem autorização do Governo de Micheletti.
Mas há muitos apoiantes (e jornalistas) a dirigirem-se para a fronteira de Las Manos com a Nicarágua, apesar do recolher obrigatório decretado. Mas mais de 3000 militares e polícias estão no local, para impedir a entrada de Zelaya. "Vamos ficar aqui o tempo que for preciso, não podem continuar a reprimir o povo", disse à Reuters a mulher de Zelaya, Xiomara Castro.
Os apoiantes de Zelaya denunciaram que a polícia matou uma das pessoas que na véspera aguardavam a chegada do Presidente deposto junto à fronteira com a Nicarágua: “Testemunhas assistiram à detenção”, asseverava a hondurenha Radio Globo, relatando que o corpo do manifestante fora encontrado, com marcas de espancamento, perto de uma plantação de café e identificado por seus amigos. Tinha 25 anos e era oriundo de San Francisco, um bairro popular nas imediações de Tegucigalpa, capital das Honduras.
Micheletti tinha já qualificado como “irresponsável” a tentativa de entrada em território das Honduras feita ontem por Zelaya. “Se entrar nas Honduras será preso pela polícia nacional, como o exige a Constituição, e não por militares”, por traição e corrupção.
Notícia actualizada às 20h46
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