Presidente de Valência acusado no escândalo que afecta o PP

14.05.2009 - 18:28 Por Nuno Ribeiro, Madrid
Francisc Camps, presidente da Comunidade Valenciana, membro da direcção do Partido Popular (PP) e apoiante do líder dos conservadores espanhóis, Mariano Rajoy, foi hoje imputado numa das investigações de corrupção que afectam os “populares”.
Na manhã da próxima terça-feira, Camps depõe perante o magistrado que investiga subornos peculiares: pela oferta de fatos, blasers e calças.
“Tudo isto cairá pelo seu próprio peso, no final se verá que nenhuma das acusações é verdadeira”, repetiu, por várias vezes, o presidente da Comunidade de Valência desde que foi divulgado que estavam sob investigação judicial as suas relações com Alvarez Pérez, executivo da Orange Market. A esta empresa, as autoridades valencianas adjudicaram diversos contratos de promoção, incluindo actos do próprio presidente valenciano.
Esta investigação, encetada pelo juiz Baltasar Garzón, em Setembro de 2007, após denúncia de um ex-vereador do PP, levou a indícios: na terça-feira, Camps terá de responder por facturas de calças, fatos e blasers encontradas em duas lojas de pronto-a-vestir masculino de Madrid, frequentadas pela classe média, no total de pouco mais de 8,6 mil euros.
Para além do presidente do Governo de Valência, uma das praças-fortes do PP, estão imputados Ricardo Costa, líder parlamentar dos “populares” no Parlamento de Valência, e Rafael Betoret, chefe do protocolo da Deputação valenciana. No total, estão em causa cerca de 50 mil euros de prendas em roupa masculina.
Desde sempre, que os conservadores defenderam a integridade dos seus líderes valencianos. Hoje, em comunicado, o PP refere que na terça-feira, perante a justiça, Francisc Camps “acaba com a situação de indefesa que sofreu nos últimos meses e lhe permitirá demonstrar a sua inocência”. Camps, para além de apoiante político de Rajoy, foi a “alma mater” da sua recandidatura à liderança dos “populares” no último Congresso, que se realizou, precisamente, em Valência.
Para além dos hoje imputados, as investigações às teias de corrupção que envolvem autarcas e cargos políticos do PP fizeram outras vítimas. Três deputados regionais de Madrid, quatro antigos alcaides de municípios madrilenos e um ex vereador foram suspensos de militância. Do mesmo modo, o euro-deputado Gerardo Galeote foi afastado da candidatura às eleições europeias. Já Luís Bárcenas, tesoureiro do PP desde Junho de 2008 e senador do PP, mantém os cargos. Bárcenas é um homem de confiança de Mariano Rajoy, que o guindou ao actual cargo. Todos aparecem envolvidos em subornos das empresas de Álvarez Pérez e Paco Correa, este último, testemunha no casamento da filha do antigo presidente do Governo, Jose Maria Aznar, que está em prisão preventiva.
De outra dimensão é o caso de espionagem de políticos conservadores de Madrid, cuja investigação judicial ainda decorre. Um caso que envolve responsáveis autárquicos e do Executivo regional madrileno.

