Presidente de Madagáscar diz que não renuncia e sugere um "referendo"

15.03.2009 - 12:04 Por PÚBLICO
O Presidente de Madagáscar já respondeu à oposição que o sitia: não deixará o cargo. A tensão na ilha está ao rubro, com os dois campos armados e de olhos nos olhos.
A recusa de Marc Ravalomanana foi anunciada por ele mesmo aos jornalistas no exterior do palácio presidencial, a caminho de um ofício religioso a que assistiram milhares de partidários. Quando um repórter lhe perguntou se se iria embora, disse: “Isso, nunca!”
Uma vez terminada a cerimónia, a que assistiu sobre um estrado, rodeado de 5 mil partidários, muitos armados, voltou a repetir que não cederá, que permanecerá no “poder”, sugerindo uma saída para a crise através de uma consulta popular – “um referendo, se for preciso”.
Sábado, o chefe da oposição, o antigo prefeito de Antananarivo, Andry Rajoelina, fez tomar a sede do Governo e substituir o primeiro-ministro por um homem da sua confiança que retirou todos os poderes ao Parlamento, de duas câmaras, e ao chefe de Estado, depois do que deu quatro horas a Ravalomanana para deixar a presidência. Mas o ultimato expirou sem qualquer acção de força.
O líder revoltoso afirma que controla as forças armadas, cuja liderança diz que alinhará com ele “se for necessário”. Além dos milhares de apoiantes, o Presidente é guardado por 500 homens armados. O exército tem 28 mil e blindados.
Andry Rajoelina, 34 anos, não anunciou nenhum programa específico de intenções, só que entendia que é chegada a hora dos “jovens” mostrarem que sabem governar. Ravalomanana tem 49 anos.
O amotinado é um antigo disk jockey, depois do que se tornou um negociante e a seguir prefeito da capital. Chamam-lhe o “TGV” pela fulgurante carreira política, cuja alma se desconhece.


