O Presidente de Israel, Moshe Katsav, vai ser hoje questionado na sequência de alegações de assédio sexual a uma antiga funcionária do seu gabinete.
O interrogatório acontece dois dias depois de a Polícia ter efectuado uma busca à residência oficial de Katsav, em Jerusalem, à procura de provas relacionadas com o caso. As autoridades apreenderam alguns computadores e vários documentos, numa investigação que tinha como objectivo encontrar correspondência entre o Presidente e a funcionária.
O deputado trabalhista Yoram Marciano, citado pelo jornal Yediot Ahronot, pediu a demissão imediata de Katsav, que pertence ao partido Likud (na oposição) e cujo cargo é meramente protocolar. "Durante estes tempos difíceis, o Presidente deve unir o país. Devido às circunstâncias, ele não pode fazer isto, logo, um novo Presidente deve ser eleito para o seu lugar", afirmou Marciano.
Katsav ainda não foi formalmente acusado por não ser claro que tipo de crime pode ter sido cometido. A alegada vítima diz que foi forçada a ter relações sexuais com Katsav, o que significa que, caso se venha a comprovar que a mulher estava efectivamente impossibilitada de escapar aos avanços do Presidente, então a acusação formada poderá ser a de violação, indicou o jornal israelita Ha"aretz.
Moshe Katsav, por seu lado, defendeu-se argumentando que a sua antiga funcionária - a segunda mulher a acusá-lo de assédio sexual - terá tentado extorquir-lhe dinheiro através de chantagem. Em Julho, o Presidente afirmou que só teve "relações profissionais" com todas as suas empregadas.
A porta-voz do chefe de Estado explicou ontem que Katsav pretende "cooperar com a investigação, pondo à disposição da Polícia todos os documentos e outras provas, de modo a que a verdade possa ser exposta". Em Israel, os presidentes no activo não podem ser levados a tribunal, mas podem ser investigados.
O envolvimento de Moshe Katsav neste caso é mais um escândalo que ensombra a política israelita, depois de o ministro da Justiça se ter demitido no domingo, para esclarecer acusações de ter forçado uma funcionária do Governo a beijá-lo. O chefe de Estado-Maior do Exército, Dan Halutz, esteve também no centro de uma polémica, por ter vendido a sua carteira de acções no dia 12 de Julho, horas depois do começo da guerra com o Hezbollah no Líbano.


