O Presidente cubano Raúl Castro chegou hoje a Moscovo para uma visita oficial de uma semana. É o reencontro dos velhos aliados da Guerra Fria, mas agora sem interesses estratégicos pelo menos evidentes.
A deslocação, assinalam as agências, é a primeira de um líder cubano à Rússia em mais de vinte anos. E a segunda ao estrangeiro desde que assumiu o cargo – a anterior foi à Venezuela e ao Brasil no ano passado.
O visitante encontra-se informalmente, já hoje, com o homólogo russo, Dmitri Medvedev. A visita oficial começa amanhã, quando for recebido no Kremlin, momento em que se prevê que sejam assinados acordos bilaterais.
Cuba e Rússia foram estreitos aliados durante a Guerra Fria. Mas o desmembramento da União Soviética e o afundamento do bloco comunista privou-a dos aliados que constituíam a coluna da sua sobrevivência, ficando à mercê do embargo norte-americano, de mais de quatro décadas e meia, e de todos os seus efeitos.
Em 2001, as relações entre os dois países passaram por uma nova fase negativa, com Fidel Castro a censurar aos russos o encerramento da base de escutas que tinham nos arredores de Havana. O primeiro-ministro Vladimir Putin disse em Dezembro que o seu país não necessitava de novas bases militares na região, recusando porém garantir que não venha a tê-las no futuro.
Assim e para já as relações entre os dois países vão continuar a ser no essencial de cooperação económica, independentemente do continuado apoio russo aos sistema militar cubano, muito assente em equipamentos da era soviética.
Em 2006, lembrava ontem a AFP, Moscovo cancelou 20 mil milhões de dólares que a ilha lhe devia. Na semana passada, Putin disse estar disposto a avançar com um novo crédito de 20 milhões para a compra de produtos russos.
“Restabeleceram-se diversos acordos que agora estão a ser postos em prática”, disse Raul Castro na semana passada numa entrevista à agência russa ITAR-TASS.
A chegada do Presidente cubano foi entretanto acompanhada por declarações do ministro russo dos Negócios Estrangeiros, Sergei Lavrov, à Prensa Latina segundo as quais Moscovo vai pressionar os Estados Unidos a porem fim ao embargo à ilha, uma “relíquia do passado”.



