Presidência da UE defende que ratificação da Constituição europeia deve continuar 
29.05.2005 - 23:12 Por PUBLICO.PT, com AFP e AP
“A ratificação da Constituição europeia deve continuar noutros países”, afirmou, esta noite, em Bruxelas, o presidente em exercício da União Europeia, o primeiro-ministro luxemburguês, Jean-Claude Juncker. Contados quase 90 por cento dos votos do referendo ao tratado constitucional europeu em França, o “não” ultrapassa já os 55 por cento e torna o país o primeiro Estado-membro a rejeitar o documento.
O “não” ao referendo sobre a Constituição europeia reúne 55,96 por cento de votos, segundo resultados ainda parciais de uma votação que teve uma taxa de abstenção acima dos 30 por cento, de acordo com dados do Ministério do Interior francês.
Juncker, que falava em conferência de imprensa, considera que os líderes dos países-membros da União Europeia devem analisar a situação na sua próxima cimeira, a 16 e 17 de Junho, acrescentando que seria impossível renegociar o tratado, que sublinhou “não estar morto”.
O presidente da Comissão Europeia, Durão Barroso, pronunciou-se igualmente a favor da continuação do processo de ratificação, lembrando que “nove Estados-membros, representando a maioria” da população da União Europeia, “já ratificaram a Constituição Europeia”.
Durão Barroso manifestou-se ainda convicto de que a Europa "vai conseguir superar a situação", sublinhando que é "nos momentos difíceis" que os responsáveis políticos devem mostrar a sua "visão" e "capacidade de fazer face às dificuldades".
De Londres, chega o apelo a um “período de reflexão” antes da cimeira de Junho do Conselho Europeu, através do ministro dos Negócios Estrangeiros britânico, Jack Straw. “O resultado [do referendo] levanta questões profundas a todos nós sobre o rumo da Europa”, disse o responsável.
O chefe do Governo espanhol, José Luis Rodriguez Zapatero, reagiu à semelhança da presidência da União Europeia e da Comissão Europeia, sustentando, segundo o seu porta-voz, que a ratificação deve prosseguir e que o “não” de França “não é uma catástrofe”. Tal como Durão Barroso, Zapatero lembra que nove países já ratificaram o tratado e este deve ser igualmente submetido a votos nos restantes países da União Europeia.
Para o chanceler alemão Gerhard Schröder, o “não” francês é “um retrocesso para o processo de ratificação da Constituição mas não o seu fim”, lamentando, porém, o sucedido. Schröder assegura que este resultado não irá interferir na “parceria franco-alemã na e para a Europa”.
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