O próximo Prémio Nobel da Paz pode ser atribuído a Hu Jia, um activista e dissidente chinês. Segundo vários especialistas contactados pelas agências noticiosas, o prémio seria uma tentativa de manter a pressão sobre a China em relação aos direitos humanos, na ressaca dos Jogos Olímpicos que não tiveram o impacto esperado na melhoria dos direitos humanos.
“Este ano, o prémio irá finalmente para um dissidente chinês”, afirmou Stein Toennesson, director do Instituto de Investigação para a Paz de Oslo, citado pela agência Reuters. O especialista arrisca o nome de Hu Jia, "talvez em conjunto com a sua mulher".
Hu Jia é uma das vozes mais críticas contra o regime comunista chinês, fervoroso adepto dos direitos humanos, protecção ambiental e luta contra a sida. Em Abril do ano passado foi condenado a três anos e meio de prisão por tentativa de subversão contra o regime chinês.
“Tornou-se o dissidente mais conhecido na China”, acrescenta Toennesson que acredita que esta é a melhor altura para o Comité do Nobel atribuir o prémio a um dissidente chinês, depois dos Jogos Olímpicos de 2008. “Durante os jogos vimos muita repressão, uma forma muito imatura de lidar com os direitos humanos e a democracia, ao tentar censurar os jornalistas", disse Janne Haaland Matlary, professora de política internacional na Universidade de Oslo. “Esta é uma oportunidade de ouro para reforçar que é uma situação inaceitável”, acredita Matlary.
Outros candidatos da Rússia também têm hipótese de ganhar o Nobel. “A politica doméstica da Rússia está claramente longe de ser democrática, longe de respeitar os direitos humanos e longe de ser liberal”, esclarece Janne Haaland Matlary.
O vencedor do Prémio Nobel da Paz será conhecido daqui a duas semanas, a 10 de Outubro, em Oslo na Noruega e receberá mais de um milhão de dólares. No total concorrem 197 pessoas e organizações.


