A Comissão Europeia indicou hoje que “muito pouco ou nenhum gás transita actualmente” em direcção à Europa, apesar do anúncio da Rússia, hoje cedo, de uma reabertura das torneiras em direcção à Ucrânia e, daqui, aos clientes europeus, acrescentando que esta é uma situação “muito séria e inaceitável”. Kiev admitiu há momentos que está a bloquear a passagem do gás, devido às “condições de trânsito inaceitáveis" impostas pela Gazprom.
"A informação que nos foi fornecida pelos nossos observadores é que muito pouco ou nenhum gás transita actualmente”, declarou uma porta-voz da Comissão Europeia à imprensa.
“A situação é evidentemente muito séria e precisa de ser melhorada rapidamente”, acrescentou.
A Comissão Europeia estimou igualmente que os peritos europeus responsáveis pela verificação do trânsito do gás não puderam aceder plenamente às estações que deveriam monitorizar, na Ucrânia e na Rússia.
“A situação é inaceitável”, considerou, por seu lado, outro porta-voz da Comissão. “Não há mais desculpas” para um regresso a um fornecimento total de gás russo à Europa, indicou.
Kiev admite bloqueio
Há momentos, o porta-voz da empresa ucraniana de fornecimento de gás, a Naftogaz, Valentin Zemlianski, admitiu, citado pela AFP, que Kiev está a bloquear a passagem do gás russo destinado à Europa devido às “condições de trânsito inaceitáveis” impostas pelo grupo russo Gazprom.
“O gás destinado à Europa não passa pelo sistema ucraniano de gasodutos devido às condições de trânsito inaceitáveis impostas pela Gazprom", declarou Zemlianski sem acrescentar mais informações.
Durão Barroso desapontado
O presidente da Comissão Europeia já terá telefonado ao primeiro-ministro russo Vladimir Putin para lhe expressar a sua decepção com a ausência de um fornecimento completo e automático de gás e com a aparente falta de acesso dos observadores europeus aos centros de monitorização acordados, indicaram hoje funcionários da UE.
A União Europeia recebe um quarto do seu fornecimento de gás da Rússia - 80 por cento do qual passa pela Ucrânia - e mais de 15 países da Europa Central têm sofrido com este corte energético. A Sérbia e a Bósnia-Herzegovina estão entre os países mais atingidos, uma vez que a maioria das casas estão dependentes de pontos de aquecimento que trabalham apenas a gás.
* Notícia actualizada às 12h40



