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Haiti

Portugueses interessados em adoptar crianças haitianas vítimas do sismo

18.01.2010 - 14:40 Por Lusa

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Há quem veja adopção de uma criança que passa por uma tragédia como a do Haiti como "o sonho de uma vida" Há quem veja adopção de uma criança que passa por uma tragédia como a do Haiti como "o sonho de uma vida" (Andrew Bigosinski/AFP)
Muitos portugueses têm contactado organizações para saberem como podem adoptar crianças haitianas que ficaram sem família por causa do terramoto, mas as instituições ainda não sabem que resposta dar, segundo fontes destas associações.

À Cruz Vermelha Portuguesa (CVP) não param de chegar manifestações de portugueses dispostos a adoptar crianças haitianas vítimas da tragédia, de acordo com a porta-voz da instituição.

Segundo Sara Sampaio, há quem considere o “sonho de uma vida” a adopção de uma criança que passa por uma tragédia como a que assolou o Haiti.

Esta organização ainda não está a dar resposta aos pedidos de informação, porque ainda não sabe qual o melhor encaminhamento.

A CVP destaca, contudo, a grande solidariedade dos portugueses que não param de se oferecer para ajudar, seja na intenção de adoptar uma criança que ficou sem família ou na disposição de ir para o Haiti “fazer o que for preciso”.

Também Maria João Louro, presidente da associação Meninos do Mundo - que divulga “a adopção internacional e, em paralelo, fomenta a solidariedade entre os povos e o respeito pelos direitos humanos em geral e os direitos das crianças em particular” - disse à agência Lusa que têm sido “muitas” as pessoas a contactar a instituição para tentar saber como podem adoptar estas crianças.

Trata-se de pessoas interessadas em adoptar uma criança haitiana e que já antes estavam empenhadas na adopção internacional, disse.

Segundo Maria João Louro, os pedidos de informação são de casais e de pessoas individuais e que já antes do terramoto queriam seguir a adopção internacional.

“Estão aliados dois factores: a tragédia que se abateu sobre o Haiti e sobre estas crianças e o facto de estes portugueses apostarem na adopção internacional como projecto de vida”, adiantou.

Perante estes pedidos de informação, a Meninos do Mundo tem lembrado que, em situações de calamidade ou de guerra, o processo de adopção pode ser suspenso, uma vez que as instituições dos países afectados não estão em condições de assegurar os “rigorosos procedimentos” que a adopção internacional implica.

Isso mesmo lembrou à Lusa a presidente da Bem Me Queres, organização que tem como objectivo a promoção da adopção em Portugal e o exercício da actividade de mediação da adopção internacional.

Segundo Cristina Henriques, foram já vários os contactos recebidos de portugueses interessados em adoptar uma criança haitiana.

Estes candidatos são, essencialmente, pessoas que aguardam por uma criança para adoptar e que, nestas alturas, “querem ajudar as crianças e dar-lhes todo o seu amor”.

“Precisamos é de saber se os portugueses podem fazê-lo [adoptar crianças haitianas], pois este processo implica acordos bilaterais e, em cenários de calamidade, não são aconselháveis as adopções internacionais”, disse.

Cristina Henriques acrescentou que há famílias que são separadas pela tragédia, mas que podem voltar a reunir-se, pelo que “a adopção imediata pode ser contraproducente”.

Perante esta onda de solidariedade, Luís Villas-Boas, que dirige o Refúgio Aboim Ascensão e defende a adopção como forma de dar colo às crianças que perderam a família, mostra-se “orgulhoso”.

“É de um grande humanismo e uma grande disponibilidade” esta atitude dos portugueses que têm “uma predisposição quase genética para a solidariedade”, disse.

Luís Villas-Boas elogia a atitude dos portugueses de quererem assumir-se como a família das crianças que ficaram sem ela.

“Como português, fico honrado. Como cidadão, farei o que puder”, acrescentou.

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Comentário + votado

Ah pois...

É sempre bom saber que já não há crianças portuguesas negligenciadas, ...

Manuel S.

18.01.2010 21:29