Conflito diplomático sobe de tom

Portugal transmitiu preocupações ao embaixador iraniano

24.06.2009 - 22:06 Por Ana Fonseca Pereira

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O chefe da diplomacia iraniana disse que está a ser avaliada a limitação dos contactos com o Reino Unido O chefe da diplomacia iraniana disse que está a ser avaliada a limitação dos contactos com o Reino Unido (Enrique De La Osa/Reuters)
O Ministério dos Negócios Estrangeiros já transmitiu ao embaixador iraniano em Lisboa as “apreensões portuguesas com os acontecimentos” no Irão e o seu desagrado com as acusações de ingerência dirigidas ao países ocidentais. Acusações que voltaram hoje a ser ouvidas em Teerão.

Paula Mascarenhas, assessora de Luís Amado, disse ao PÚBLICO que o embaixador “foi recebido na segunda-feira” e que a posição portuguesa “está em sintonia” com a assumida pela presidência checa da UE, que no mesmo dia repudiou as críticas de Teerão. Esta posição foi reiterada pelo embaixador português, recebido ontem no Ministério dos Negócios Estrangeiros em Teerão, acrescentou.

Apesar dos protestos, o Irão insiste nas acusações de que é o Ocidente quem está a alimentar a revolta nas ruas. “Algumas pessoas com passaporte britânico estiveram envolvidas nos motins”, disse o ministro responsável pelos serviços secretos, Gholamhossein Mohseni-Ejei, à agência de notícias Fars.

Um dos detidos, adiantou, estava “disfarçado de jornalista” mas a sua função “era recolher informações necessárias ao inimigo”. O ministro não revelou nomes, mas um jornalista grego que cobria as eleições para o "Washington Post" foi detido nas últimas 24 horas. Antes dele, foi preso um repórter canadiano da Newsweek.

Já o ministro do Interior, Sadeq Mahsouli, acusou os manifestantes de estarem também a soldo da CIA. “O Reino Unido, a América e o regime sionista estão na origem dos protestos”, disse.

E a troca de palavras ganha a cada dia contornos de conflito diplomático. Depois da expulsão de dois diplomatas britânicos (por “actividades incompatíveis com o seu estatuto”), o ministro dos Negócios Estrangeiros, Manouchehr Mottaki, disse que “está a ser avaliada” a limitação dos contactos diplomáticos com Londres. Na resposta, o Governo britânico disse “lamentar profundamente” que o Irão “transforme os assuntos internos em conflitos” internacionais.

Mottaki revelou ainda “não ter planos” para participar no encontro do G8, esta semana em Roma — um revés para os Estados Unidos, que esperavam contar a colaboração iraniana na discussão do plano para a estabilização do Afeganistão.

Soube-se entretanto que nenhum diplomata iraniano aceitou os convites enviados pelas embaixadas americanas para participarem nas comemorações do feriado do 4 de Julho. Tudo más notícias para a estratégia de Barack Obama que, revelou o "Washington Times", terá enviado uma carta a Khamenei antes das presidenciais, na perspectiva “de uma cooperação regional e do [restabelecimento] das relações bilaterais”.

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43fr

O sr. Embaixador do Irão só deveria dar atenção ao ministro dos negócios estrangeiros se ele lhe ...

Rui Duarte

25.06.2009 22:14