• Primeira esplanada Time Out do mundo abre na Avenida da Liberdade
  • Petiscos com frango, das moelas à batata doce
  • Kiev, a porta de entrada da Ucrânia

União Europeia

Portugal perdeu o Brasil mas quer ganhar África na corrida ao serviço diplomático europeu

16.09.2010 - 09:37 Por Teresa de Sousa

  • Votar 
  •  | 
  •  1 votos 
A responsável pela diplomacia europeia, Catherine Ashton A responsável pela diplomacia europeia, Catherine Ashton (DR)
O novo Serviço Europeu de Acção Externa está a ganhar forma e Portugal já garantiu cinco embaixadas, entre as quais estão Washington, Caracas e Kiev.

Os jogos ainda não estão feitos e a concorrência é feroz. Portugal decidiu visar alto no novo Serviço Europeu de Acção Externa (SEAE), ou serviço diplomático europeu: quer uma direcção regional em Bruxelas e a embaixada da União Europeia (UE) em Brasília. As duas apostas correspondem a duas das grandes prioridades da política externa portuguesa, em dois domínios nos quais Portugal pode valorizar uma competência própria. Ontem, perdeu Brasília num "empate" que se saldou na anulação de um concurso no qual tinha pela frente a Alemanha e a Áustria. Ganhou o Gabão, que inclui S. Tomé e Príncipe e a Guiné Equatorial, perdeu Luanda e mantém o mesmo número de embaixadas (cinco) que já tinha nas representações da Comissão, que passaram a representar a União. Ainda quer a direcção de África, um dos lugares de topo. Em Lisboa, reconhece-se que a batalha também "será difícil".

O facto de já haver um português a chefiar a embaixada da União Europeia em Washington - o chamado "grande prémio" - enfraquece a posição negocial portuguesa (ver caixa). Ontem, terá sido esse um dos argumentos para que o concurso aberto para Brasília acabasse por ser anulado. A capital brasileira fazia parte de um conjunto de 30 capitais para as quais a chefe da diplomacia europeia, Catherine Ashton, abriu concurso. A candidata portuguesa, a embaixadora Luísa Bastos de Almeida, já tinha subido todos os degraus até à fase final, na qual tinha pela frente uma forte candidatura alemã e outra da Áustria. Embora o Governo português ainda não dispusesse, ontem à tarde, de uma explicação oficial para a anulação do concurso, o facto de Berlim ter ganho Pequim (a sua outra prioridade), Viena ter ficado com Tóquio e Portugal já ter Washington pode ser uma boa explicação. João Vale de Almeida, antigo chefe de gabinete de Durão Barroso, foi nomeado em Junho passado para Washington pela quota da Comissão, mas agora é difícil à diplomacia portuguesa rebater o argumento de que a capital mais cobiçada é sua.

Perdida Brasília, Portugal tem de contentar-se com a embaixada no Gabão, que será liderada por Cristina Martins Parreira, e que se junta às que já chefia: Ucrânia, Venezuela, Camarões e Washington.

Quanto a África, a questão é saber se Portugal consegue um dos 10 postos de topo da nova estrutura do SEAE. Uma decisão da alta-representante é esperada em Outubro. José Fernando Costa Pereira, o candidato português, chefia a direcção África na Unidade Política do Conselho. Não é um nome de topo da diplomacia portuguesa. Lisboa responde às críticas de que não está a jogar em nomes tão altos como as suas pretensões, alegando que as candidaturas são individuais. "Podemos influenciar, mas não podemos obrigar ninguém." Há dúvidas sobre a possibilidade de alargar as candidaturas para lá dos diplomatas nacionais. Se isso vier a ser possível, podem aparecer nomes mais fortes.

Os lugares do topo

Com a aprovação das competências e das estruturas do SEAE pelo Conselho e pelo Parlamento Europeu, a nova chefe da Diplomacia europeia iniciou em finais de Julho a tarefa de preenchimento dos cargos mais importantes de uma estrutura que, quando estiver a funcionar em pleno, contará com mais de 5000 funcionários, entre a sede em Bruxelas e as embaixadas em 136 países. Os lugares devem ser repartidos equitativamente entre pessoal da Comissão e do Conselho (a actual Direcção-Geral das Relações Externas passa a integrar o novo serviço, bem como parte dos serviços do Conselho) e as diplomacias dos Estados-membros. Nesta fase, Ashton, que é britânica, concentrou-se nas 30 embaixadas que estavam em fase de rotação e nos 10 postos de topo do SEAE.

As candidaturas são individuais e as nomeações feitas por concurso. Ashton garantiu que o mérito seria o principal critério, levando também em conta os equilíbrios geográficos e de género. O facto não impede os "grandes" países de tentarem repartir entre si os lugares mais influentes.

Estatísticas

  • 42 leitores
  • 5 comentários

URL desta Notícia

http://publico.pt/1456128

Comentário + votado

Nada de nada

quero lá saber das carreiras destes diplomatas. Os paises europeus não podem detrerminar ...

Jorge Gomes

17.09.2010 18:28

X

Mais em Mundo (5 de 19 artigos)

Sanções aos países indisciplinados dividem UE