Alguns detidos de Guantánamo ainda não têm país de acolhimento

Portugal é destino de preferência dos prisioneiros de Guantánamo

16.12.2008 - 15:18 Por Lusa

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O "Campo Raio-X", local onde foram tiradas as primeiras fotos dos detidos, agora abandonado O "Campo Raio-X", local onde foram tiradas as primeiras fotos dos detidos, agora abandonado (Randall Mikkelson/ Reuters (arquivo))
Que Portugal é um conhecido destino para turistas, isso não é novidade. Mas, pelos vistos, passou a ser também um país muito popular entre os detidos de Guantánamo, desde que o ministro dos Negócios Estrangeiros, Luís Amado, anunciou a disponibilidade de receber alguns, disse à agência Lusa um advogado dos detidos.

"Todos a quem falámos (da oferta do governo português) ficaram contentes com a ideia", disse Clive Smith, director da organização de defesa de direitos humanos Reprieve e defensor jurídico de 30 detidos.

"Portugal é um lugar muito popular em Guantánamo nesta altura!", garantiu, em entrevista por email a partir de Washington, onde se encontra.

Luís Amado deu conta da disponibilidade de Portugal para acolher detidos de Guantánamo a 10 de Dezembro, numa carta enviada aos homólogos da União Europeia, a propósito do 60º aniversário da Declaração dos Direitos Humanos. Smith disse à Lusa ter discutido a hipótese com todos os clientes e que estes "não querem outra coisa senão sair dali e ir para Portugal".

Um exemplo é o palestiniano Ayman al Shurafa, de 33 anos, cujo regresso à Arábia Saudita, onde nasceu e cresceu, não foi aceite por não ter a nacionalidade saudita. A solução, segundo o director da Reprieve, seria ir para os territórios palestinianos "se Israel deixasse. Ele já teria sido libertado se não fosse isso."

O advogado afirmou não ter dúvidas de que muitos detidos preferem instalar-se noutro país diferente do deles porque "se eles regressarem serão torturados".

O desafio será agora que outros países adiram à posição portuguesa, em especial o Reino Unido e Itália, que "deviam receber as pessoas que viviam ali como residentes", nomeadamente três argelinos no Reino Unido e oito tunisinos em Itália.

Clive Smith considerou que há 60 casos difíceis, depois de excluir dos actuais 250 detidos, os cerca de 40 que estima que serão julgados nos Estados Unidos e os 150 que deverão regressar a casa.

"Se Portugal ajudar nisto, iniciará uma relação muito positiva com a administração Obama, além de ser um óptimo exemplo para o mundo islâmico - onde Portugal será muito mais popular também", concluiu.

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Portugal é destino de preferência dos prisioneiros de Guantánamo

Enviem-nos para as grandes mansões dos dirigentes do Bloco Central! Mas o problema que se põe é ...

Manuel

18.12.2008 13:54

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