Polónia recusar revelar conclusões do inquérito sobre prisões secretas da CIA

23.12.2005 - 17:28 Por AFP, PUBLICO.PT
O Governo polaco decidiu não tornar públicas as conclusões do inquérito às denúncias de que o país albergou prisões secretas da CIA, alegadamente usadas para deter pessoas suspeitas de envolvimento em actividades terroristas.
“O relatório não tem vocação para ser tornado público”, afirmou Jan Dziedziczak, porta-voz do Governo conservador polaco.
Contudo, o primeiro-ministro, Kazimierz Marcinkiewicz, tinha prometido apresentar, até ao final desta semana, informações “completas” sobre esta matéria.
“O ministro responsável pelos serviços especiais, Zbigniew Wassermann, apresentou quarta-feira os resultados do inquérito à comissão parlamentar dos serviços secretos. Todos os membros da comissão se declararam satisfeitos com as explicações, considerando o assunto encerrado”, justificou o porta-voz, sem adiantar pormenores sobre o teor das conclusões.
O diário norte-americano “The Washington Post” noticiou, em Outubro, que a CIA terá transferido, em voos não identificados, vários suspeitos de terrorismo para prisões secretas no estrangeiro, onde a tortura não é proibida.
Mais tarde, a organização de defesa dos direitos humanos Human Rights Watch revelou ter informações sobre a existência destes presídios na Europa, nomeadamente na Roménia e na Polónia, sendo este último país descrito como o centro das operações da CIA na região.
A informação foi desmentida pelos dirigentes polacos, mas o novo Governo, em funções há dois meses, decidiu abrir um inquérito, sublinhando que era necessário encerrar o caso “antes que ele se tornasse perigoso” para a Polónia.
A Comissão Europeia admitiu já que os países que alberguem ou tenham albergado este tipo de prisões serão sujeitos a sanções, como a perda do direito de voto nas reuniões do Conselho Europeu.

