A Polónia não será um "peluche" para os seus parceiros europeus, mesmo depois da mudança política que levou ao poder um governo pro-europeu, advertiu o comissário europeu para a Indústria Günter Verheugen.
"Mesmo depois desta eleição, a Polónia não será um peluche europeu, um pequeno animal dócil", declarou Verheugen, que falava aos jornalistas em Berlim.
A Plataforma cívica liberal de Donald Tusk venceu as eleições legislativas na Polónia a 21 de Outubro, e este último vai substituir Jaroslaw Kaczynski como Primeiro-Ministro, suscitando entre os governos europeus e em Bruxelas a esperança de uma orientação mais pro-europeia de Varsóvia.
"Haverá uma mudança no estilo (de governo), mas na direcção fundamental, não sei", comentou Verheugen, que era um dos líderes europeus que melhor se entendia com Kaczynski.
Verheugen, que também é vice-presidente da Comissão Europeia, exprimiu a sua compreensão pela posição de Varsóvia num diferendo que opõe a Polónia à Rússia. Moscovo impôs, em 2005, um embargo sobre as importações de carne polaca por razões sanitárias, tendo Varsóvia bloqueado uma parceria estratégica entre a UE e a Rússia, nomeadamente no domínio da energia. As "tentativas da Rússia de transformar o caso num problema bilateral vão fracassar", avisou o comissário alemão.
Verheugen foi anteriormente comissário para o alargamento, e conduziu nessa qualidade as negociações preliminares para a adesão da Polónia à UE em 2004. Segundo o comissário, a "propaganda anti-europeia não encontra nenhum eco na Polónia", mesmo nas campanhas eleitorais.



