Os liberais da Plataforma Cívica (PO) venceram as legislativas antecipadas na Polónia, infligindo uma pesada derrota aos conservadores do Partido Direito e Justiça (PiS) dos gémeos Kaczynski, no poder há apenas dois anos.
Segundo as projecções avançadas pelas televisões nacionais (três horas após a hora inicialmente prevista para o encerramento das urnas) os liberais liderados por Donald Tusk terão conseguido entre 43,7 a 44,2 por cento dos votos.
Os conservadores não deverão ir além dos 30,4 a 31,3 por cento dos votos, de acordo com os mesmos estudos, da responsabilidade dos institutos TNS OBOP e PBS.
Em terceiro lugar surge a aliança Esquerda e Democratas (LiD), um grupo de partidos de centro-esquerda apoiado pelo antigo Presidente Aleksander Kwasniewski, que terá conseguido entre 12,2 a 13,3 por cento dos votos.
O Partido dos Camponeses Polacos (PSL), uma formação pró-europeia aliada dos liberais, terá conseguido 7,9 a 8,4 por cento dos votos, um resultado que poderá ser suficiente para garantir uma coligação maioritária no Parlamento de Varsóvia.
De acordo com a comissão eleitoral polaca, a taxa de participação terá superado os 55 por cento, o que constitui um recorde em legislativas desde a instauração da democracia no país.
A forte afluência contribuiu para o adiamento do fim da votação, inicialmente previsto para as 20h00 (19 em Lisboa), mas que só seria concluído em algumas mesas de voto perto das 23h00 (22h00 em Lisboa). Segundo as autoridades, os boletins de voto foram insuficientes nalgumas circunscrições, o que obrigou os eleitores a esperar várias horas para votar.
Jaroslaw Kaczynski reconhece derrota
Apesar de os resultados oficiais só estarem previstos para amanhã, o primeiro-ministro cessante, Jaroslaw Kaczynski, já reconheceu a derrota, desejando "sucesso e felicidade" ao seu sucessor. "O nosso caminho não termina aqui. Vamos passar para a oposição e seremos uma oposição dura que exigirá o cumprimento de todas as promessas eleitorais", afirmou o mais carismático dos gémeos Kaczynski.
Donald Tusk prometeu durante a campanha retirar os soldados polacos do Iraque e realinhar o Governo de Varsóvia com a UE, por oposição ao feroz nacionalismo promovido pelos Kaczynski, que colocaram Varsóvia em rota de colisão com a maioria dos seus parceiros europeus.
Tusk aposta também na liberalização da economia polaca, prometendo baixar os impostos e reduzir as despesas do Estado através de um programa de privatizações, mas o Presidente Lech Kaczynski, cujo mandato se prolongará até 2010, promete vetar quaisquer reformas neste sentido, o que obrigará os liberais a procurar o apoio de três quintos do Parlamento para ultrapassar um eventual bloqueio presidencial.


