Polónia e países bálticos criticam plano de paz mediado por Sarkozy

13.08.2008 - 16:32 Por AFP, PÚBLICO
Os Presidentes da Polónia, Lituânia, Estónia e o primeiro-ministro da Letónia criticaram o plano de paz mediado por Nicolas Sarkozy, presidente em exercício da União Europeia, por considerarem que não garante o direito à integridade territorial da Geórgia.
“Pensamos que os documentos apresentados a noite passada – primeiro em Moscovo e depois em Tbilissi – ignoram a questão essencial, o respeito pela integridade territorial da Geórgia”, lê-se num comunicado conjunto divulgado hoje em Varsóvia, pouco depois de os quatro dirigentes terem regressado de uma viagem à capital georgiana.
Os três países do Báltico e a Polónia sublinham a importância de serem respeitadas as “fronteiras internacionalmente reconhecidas” da Geórgia, abrangendo as regiões autónomas da Abkházia e Ossétia do Sul, agora sob controlo das tropas russas.
A Rússia aceitou ontem pôr fim à ofensiva, mas colocou como condição a um acordo de cessar-fogo a retirada de todas as tropas georgianas daqueles territórios, os quais, afirma, devem ter direito à auto-determinação.
Após a visita a Tbilissi, durante a qual se reuniram com o Presidente Mikhail Saakashvili, quatro dirigentes apresentaram uma declaração em seis pontos (tantos como o acordo de cessar-fogo mediado por Sarkozy), o primeiro dos quais defende a oficialização da candidatura de Tbilissi à NATO.
Os quatro países exigem ainda um “cessar-fogo imediato”, a “retirada das tropas de ocupação da Geórgia” e a “criação de uma força de paz internacional supervisionada pela UE”. Por último, exigem a criação de corredores humanitários e uma acção concertada internacional para enviar ajuda “às vítimas civis da agressão russa”.
Antes de partir para Tbilissi, o Presidente polaco tinha já criticado o plano de paz conseguido por Sarkozy. “Ouvimos falar das condições de suspensão das operações, mas não há uma única palavra sobre a integridade territorial da Geórgia”, lamentou Lech Kaczynski.
Para a Polónia esta lacuna representa “uma violação das regras que estiveram na base da paz na Europa durante várias dezenas de anos”.
Os três países do Báltico foram anexados pela URSS e só reconquistaram a sua independência com a queda do comunismo, enquanto a Polónia pertenceu durante esse período ao Pacto de Varsóvia, aliança militar que agrupava os regimes comunistas que permaneciam sob a influência de Moscovo. Desde a dissolução da União Soviética, os quatro países têm mantido relações difíceis com Moscovo, à semelhança do que sucede nos últimos anos com a Geórgia e a vizinha Ucrânia.

