Polícia volta a deter antigo operacional do IRA suspeito de envolvimento na morte de dois soldados

25.03.2009 - 15:28 Por PÚBLICO
A polícia da Irlanda do Norte voltou hoje a deter um antigo operacional do IRA, suspeito de participação na morte de dois soldados britânicos, no início deste mês. A iniciativa surgiu pouco depois de um tribunal superior da província ter rejeitado o prolongamento da detenção de Colin Duffy e de outros cinco suspeitos de envolvimento nos ataques reivindicados por grupos republicanos dissidentes.
Duffy, um antigo prisioneiro do IRA, foi detido novamente ao abrigo da lei antiterrorista, uma hora depois de o High Court de Belfast ter dado provimento a um recurso apresentado pelos seis detidos. “Não sabemos pormenores”, declarou Pat Vernon, anunciando que vai recorrer do que classifica como uma “prisão ilegal”, enquanto a família lamentou “o completo desrespeito” da polícia pelo sistema judicial”.
O próprio Sinn Féin, o antigo braço político do IRA e actual parceiro do governo autónomo da Irlanda do Norte, contestou a decisão policial. “A nova detenção é um claro abuso da decisão judicial”, afirmou Alex Maskey, porta-voz do partido, o mesmo que condenou de forma enfática os assassinatos dos dois sapadores militares, no dia 7, e de um agente da força policial da província, dois dias mais tarde.
Numa decisão que põe em causa as leis antiterroristas britânicas, o High Court decidiu que os seis homens que permaneciam detidos deveriam ser acusados ou libertados. Os suspeitos estavam há duas semanas sob custódia policial, no condado de Antrim (Nordeste), e no último fim-de-semana um juiz de círculo aceitou prolongar a sua detenção (que ao abrigo das novas leis pode estender-se até 28 dias). Apesar de não contestar a legalidade do procedimento, a instância superior concluiu que o magistrado não analisou se a detenção inicial foi, ou não, legal, razão pela qual decidiu dar provimento ao recurso dos detidos.
A polícia da Irlanda do Norte anunciou, de imediato, que iria “analisar todas as opções em cima da mesa” e, pouco depois soube-se que os seis detidos tinham sido libertados, mas Duffy, suspeito de ligações ao IRA Verdadeiro, que reivindicou a primeira acção, recebeu novamente ordem de prisão.
Em simultâneo, está hoje a ser ouvido em tribunal um antigo conselheiro municipal do Sinn Féin, que foi já formalmente acusado de envolvimento na morte do agente da polícia. Brendan McConville, de 37 anos, é a segunda pessoa acusada por este ataque, reivindicado pelo IRA Continuidade. O outro suspeito, de 17 anos, ficou ontem em prisão preventiva, após primeiro interrogatório judicial.
Ao todo, a polícia deteve 11 suspeitos de envolvimento nos dois ataques, dos quais apenas três vão continuar detidos.

