Os piratas somalis que actuam nas águas ao largo do Corno de África apresaram nos últimos dias um barco de pesca iemenita e um cargueiro que arvora a bandeira das Ilhas Marshall e que transporta produtos químicos, foi hoje anunciado tanto pelos próprios como pelas autoridades marítimas.
Um dos piratas, Hassan, contou à Reuters por telefone, a partir da cidade costeira de Haradheere, que três dos seus colegas ficaram feridos quando, ontem à noite, tomaram conta do cargueiro "MV Filitsa", mas que os 24 tripulantes encontram-se bem.
"Houve uma breve luta antes de o termos capturado", disse Hassan, um dos muitos piratas que actualmente têm em seu poder pelo menos 13 embarcações e mais de 230 tripulantes, incluindo um casal britânico cujo iate foi interceptado ao largo das ilhas Seychelles.
Andrew Mwangura, do East African Seafarers's Assistance Programme, com base no Quénia, explicou que três dos tripulantes do cargueiro ontem apresado são gregos e os restantes filipinos. O barco dirigia-se do Kuwait para o porto sul-africano de Durban, quando foi atacado 513 milhas náuticas a nordeste das Seychelles.
Quanto ao barco de pesca iemenita, o "Al Hilal", ou "Al Halil", segundo as diferentes informações, foi apanhado segunda-feira à noite perto de Hafun, uma localidade na costa setentrional da Somália. Foram pelo menos 14 os homens que o atacaram, disse Mwangura à Reuters.
No domingo os piratas tinham apreendido um cargueiro com a bandeira dos Emirados Árabes Unidos que transportava armas para a Somália e na segunda-feira chegaram a abrir fogo, com armas automáticas e granadas de rocket contra um petroleiro de Hong Kong, 1.000 milhas náuticas a leste de Mogadíscio, em pleno Mar Arábico. Nunca uma acção destas se verificara tão longe das costas somalis.


