Ex-ditador chileno morreu aos 91 anos

Pinochet, o general ditador

10.12.2006 - 18:15 Por Agências

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 (Eduardo Beyer/EPA)
O nome de Augusto Pinochet está associado a 17 anos de terror e perseguição política no Chile. O regime militar que encabeçou foi um dos mais repressivos da América Latina e até hoje se procura levar à justiça os responsáveis por milhares de mortes e desaparecimentos.

Nascido a 25 de Novembro de 1915 em Valparaiso numa família de militares, Augusto Pinochet Ugarte não chegou ao final da escolaridade obrigatória por ter sido expulso por indisciplina.

Em 1940 casou com Lucia Hiriart, união da qual nasceriam cinco filhos – três raparigas e dois rapazes. Já integrado no Exército, Augusto Pinochet dirigiu nos anos 1940 o campo de prisioneiros políticos do Partido Comunista ilegalizado pelo então Presidente Gabriel Gonzalez Videla.

Mas foi a década de 1970 que o chamou ao protagonismo histórico. A 4 de Setembro de 1970 Salvador Allende, socialista, foi eleito Presidente do Chile. No mesmo ano, Pinochet ascendia ao cargo de general. Quando o general Carlos Prats abandonou o comando do Exército, em Agosto de 1973, Augusto Pinochet foi recomendado como seu sucessor e viria a ocupar o cargo. Apenas três semanas mais tarde, Pinochet liderava o golpe de Estado que fez cair o governo eleito de Allende e levou ao suicídio do Presidente. A partir de 11 de Setembro de 1973, Augusto Pinochet tornou-se o “homem que salvou o Chile do comunismo” e libertou o país das nacionalizações, ao abrir à privatização as grandes empresas do Estado chileno.

Ordem para matar

A face mais obscura do golpe militar começou a mostrar-se logo após o golpe. Centenas de pessoas foram executadas por se oporem ao regime militar, revelando-se o preço pela salvação do “perigo comunista” e imposição de uma “democracia protegida”, eufemismos usados pelos apoiantes da direita e do regime de Pinochet para validar a sua liderança.

Além das ordens para matar, o regime de Pinochet ficou infame pela perseguição aos dirigentes da esquerda resistente e exílio de centenas de milhares de pessoas, bem como a repressão violenta das manifestações que, a partir de 1983, reclamavam o regresso à democracia e a queda do ditador.

Em 1986, Pinochet escapa a um atentado da Frente Patriótica Manuel Rodriguez (FPMR), um grupo de resistência armada ligado ao Partido Comunista.

Finalmente, em 1988, os resultados da consulta pública eram evidentes: 53 por cento dos votantes não queriam continuar sob o poder de Pinochet por mais dez anos. Em 1990, Pinochet cederia o poder ao democrata-cristão Patricio Aylwin.

A partir de 1994, Pinochet começou a desaparecer da cena pública. Continuou, ainda assim, à frente das Forças Armadas chilenas até Março de 1998, dada em que foi entronizado como senador vitalício do Chile.

Pinochet arguido

No mesmo ano, foi pela primeira vez alvo de perseguição judicial internacional para o julgar pelos crimes cometidos durante a sua ditadura militar. O juiz espanhol Baltasar Garzon aproveitou uma viagem do senador e general a Londres, na qual não estava ao abrigo da imunidade parlamentar de que beneficiava, para emitir e fazer cumprir um mandado internacional de captura. Pinochet esteve detido 503 dias e só foi libertado por motivos humanitários, que se prendem com a sua idade e saúde debilitada. Quando regressou ao Chile, em Março de 2000, foi novamente alvo de acusações relativas aos crimes cometidos durante o seu regime.

Em Dezembro, o juiz Juan Guzman acusou-o de envolvimento na caso “Caravana da Morte”, designação de um esquadrão militar que percorreu o Chile em 1973 para eliminar os opositores do regime, e ordenou a sua prisão domiciliária. O caso acabaria por ser arquivado pelo Supremo Tribunal, depois de uma junta ter considerado que o ex-ditador sofria de “demência ligeira”e não estava apto para ser julgado.

Dois anos mais tarde, voltou a estar sob o da justiça, desta feita devido à “Operação Condor”, um plano concertado das ditaduras latino-americanas para eliminar opositores, levado a cabo entre meados das décadas de 1970 e 1980. O Supremo autorizou a abertura de uma nova excepção à imunidade vitalícia que lhe foi concedida quando abandonou o poder, mas o caso voltaria a ser arquivado.

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Imagine-se que Cunhal apropriava-se do poder a seguir a um golpe tipo 11 de Março. Estruralmente ...

Anónimo

11.12.2006 00:59

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